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O Nono Dia de Av

Tisha BeAv - O nono dia do mes Judaico de Av, tem início no pôr-do-sol do oitavo dia, e término no pôr-do-sol do nono dia do mês de Av. Esse é o dia em que toda a intensidade das três semanas de luto atinge seu auge.

HISTÓRIA:

De acordo com nossos sábios, muitos eventos trágicos aconteceram a nossos antepassados neste dia:

1. O pecado dos espiões fez com que D'us decretasse que os filhos de Israel que saíram do Egito não seriam permitidos de entrarem na terra de Israel;

2. O primeiro Templo foi destruído;

3. O segundo Templo foi destruído;

4. Betar, a última fortaleza a resistir aos romanos durante a Revolta de Bar Kochvá, no ano de 135 foi vencida, selando o destino do Povo Judeu.

5. Um ano depois da queda de Betar, a região do Templo foi arada.

6. Em 1492, o Rei Ferdinando da Espanha emitiu o decreto de expulsão, marcando Tisha BeAv como prazo final para que não houvesse um único judeu no solo espanhol.

7. A 1a Guerra Mundial teve início em Tisha BeAv.

Proibições:

As proibições para o dia de Tisha BeAv são similares às de Iom Kipur. Além de se abster de comidas e bebidas, não devemos nos lavar, ou usarmos vestimentas de couro. Numa proibição mais restritiva que em Iom Kipur, apenas alguns trechos da Torá e do Talmud podem ser estudados.

OBSERVÂNCIAS:

A observância de Tisha BeAv tem início com a Seudá HaMafseket, a última refeição antes do início do jejum.

NOTA: Nos anos em que o jejum tem início num sábado a noite, nao se faz a Seudá HaMafseket.

Diferentemente da refeição elaborada que fazemos antes de Iom Kipur, esta refeição é tipicamente de um prato, geralmente composto de ovo cozido e pão. Também, esta refeição não é feita com outras pessoas, para evitar que se tenha quórum para um Zimun (quórum para orações públicas) na hora do Birkat HaMazon. O Zimun indica permanência, hábito e durabilidade. Evitamos o Zimun porque não queremos indicar que esta refeição de luto é uma experiência recorrente. É costume comer esta refeição sentado no chão, ou num assento mais baixo.

Até o Minchá de Tisha BeAv, deve-se evitar sentar numa cadeira ou banco. O costume é sentar-se no chão, ou permanecer em pé, assim como um enlutado durante a Shivá (período de sete dias de luto quando falece um familiar próximo).

A partir do Minchá, é permitido sentar-se em cadeiras, e reduz-se a intensidade do pesar que toma conta de nós até então. Além disso, os homens colocam o Tefilin e recitam as bençãos que foram omitidas no Shacharit (serviço matinal) deste dia.

É proibido cumprimentar amigos e conhecidos em Tishá BeAv, no entanto, se o cumprimento partir do outro, deve ser respondido, mas discretamente, para evitar ressentimento.

No serviço noturno de Maariv, toda a congregação costuma sentar no chão e ler o livro de Eitcha (Lamentações), no qual o profeta Jeremias lamenta a destruição, e nós lamentanos com ele.

A manha de Tisha BeAv é a parte mais triste do dia. Se recitam as Kinot, e os homens não usam os Tefilin durante o Shacharit, porque os Tefilin são chamados de "Pe-ar" - glória - e este definitivamente não é um dia de glória para o Povo Judeu.

Nossos sábios ensinam que todos aqueles que se enlutam por Jerusalém merecerão participar de sua ressureição. Como está escrito em Isaias 66:10 - "se alegrarão com ela todos os que se enlutarem por ela."

Mais Informações:

Shiva Assar BeTamuz (17 de Tamuz)

Cinco disastres ocorreram no dia 17 de Tamuz:

1. Moshé desceu do Monte Sinai, e viu o povo rezando para um bezerro de outro, e quebrou as tábuas da lei;

2. Durante o cerco a Jerusalém, antes da destruição do primeiro Templo, a oferenda diária foi suspensa pos os cohanim (que se haviam refugiado dentro do Templo) não conseguiram mais trazer rebanho para os sacrifícios;

3. No ano 70 EC, os romanos romperam as paredes de Jerusalém antes da destruição do segundo Templo;

4. Apóstomus, o Malvado, queimou um Rolo da Torá;

5. Os romanos colocaram um ídolo no pátio do Templo;

As Três Semanas

Este período é conhecido como Bein HaMeTzarim, "entre os estreitos", porque esta escrito em Eicha 1:3 - " e seus perseguidores a tomaram entre os estreitos", referindos-se aos eventos calamitosos que recairam sobre o Povo Judeu entre o Shivá Assar BeTamuz (17 de Tamuz) e o Tisha BeAv (9 de Av). (Algumas proibições e costumes deste período são listados aqui; para perguntas específicas, consulte um rabino.)

Ir ao cinema, teatro, salões de concerto ou qualquer outro local de entretenimento público é estritamente proibido. Com excessão de roupas de baixo e meias, não se deve comprar roupas novas.

Cortes de cabelo são proibidos. De acordo com algumas autoridades rabínicas, homens que se barbeiam diariamente por razões de trabalho podem fazê-lo neste período.

Os Nove Dias

A intensidade das três semanas de luto aumenta com a chegada do Rosh Chodesh Menachem Av (início do mês de Av). Por isso, em adição aos itens mencionados abaixo, durante os dias entre o Rosh Chodesh e Tisha BeAv, somos proibidos de:

Construir ou fazer alterações em nossos lares, a não ser que seja um conserto importante. Esta proibição inclui pintar, e outras formas de decoração residencial;

Comer carne ou beber vinho, exceto no Shabat.

Lavar roupas, buscar ou levar roupas a lavanderias. Roupas de criança, especialmente bebês e crianças pequenas, podem ser limpas neste período. Esta restrição não se aplica a roupas vestidas diretamente sobre a pele e que requerem trocas frequentes.

Costurar e tricotar, com excessão de consertos em roupas rasgadas, são proibidos neste período.

Nadar e banhar-se por prazer são proibidos neste período. Banho ou chuveiro por higiene são permitidos. Crianças em acampamentos podem participar das aulas de natação; Visitar a mikve quanto necessário é permitido.

O Shabat anterior a Tisha BeAv é chamado Shabbat Chazon porque a Haftara desa manhã começa com a palavra Chazon.

Jerusalém na Consciência Judaica

O nono dia do mês hebraico de Av é um dos principais dias de jejum do calendário judaico, quando as pessoas lamentam a data da destruição do Primeiro e do Segundo Templo, com a perda subseqüente de soberania nacional e o exílio da Terra Santa.

Tisha Be'av é a culminação do período de três semanas de luto, do qual os últimos nove dias são particularmente intensos, com observância de muitos costumes semelhante aos praticadosdurante o luto de uma pessoa íntima da família. As "Três Semanas", como são conhecidas, começam no décimo sétimo do mês de Tamuz, a data em que foram quebradas as paredes externas da cidade de Jerusalém durante o cerco. Esta também é a data na qual Moisés quebrou as primeiras tábuas da Lei quando desceu do Monte Sinai depois de 40 dias - e encontrou o povo adorando o Bezerro Dourado.

O Dia 9 de Av é a data em que o seguro povoado de Betar caiu, a data da expulsão dos Judeus da Espanha em 1492, o começo das deportações nazistas dos Judeus do Gueto de Varsóvia, etc.

O dia é publicamente marcado no Estado de Israel pelo fechamento de restaurantes, lugares de entretenimento etc. desde a véspera do dia anterior, com as lojas de comida abrindo apenas durante as horas matutinas. O dia é interpretado por seu significado religioso e/ou por sua importância na conexão com a nacionalidade e soberania nacional - mesmo no caso de os indivíduos optarem por não jejuar.

A observância tradicional inclui a leitura do Livro de Lamentações, o Kinot [vide abaixo], um jejum de 25 horas, privação de conforto e contato físico. Em Jerusalém, há um fluxo de milhares de pessoas para o Kotel, o muro Ocidental e única remanescência do Segundo Templo, para comemorar a destruição e rezar pela redenção.

AO LONGO DA HISTóRIA

Avraham foi enviado para sacrificar seu filho, Isaac, em uma colina na terra de "Moriá", o lugar conhecido hoje como o Monte de Templo. A redenção de Isaac está intrinsecamente relacionada com a santidade do local.

A conexão física do povo Judeu para com Jerusalém vem à frente, obviamente, quando o Rei o David a conquista do Jebuseus, pagou pelo local santo no Monte de Templo e fez da cidade sua capital.

Depois da destruição do Primeiro Templo, a maioria da população judia foi levada em exílio na Babilônia, onde juraram lamentar para Zion, "Se eu esquecer a ti, ó Jerusalém, que minha mão direita esqueça de sua astúcia. Que minha língua fique presa ao céu da minha boca, se eu não me lembrar de ti, se eu não colocar Jerusalém acima de toda minha alegria".

Na era dos Macabeus, a principal essência da briga por Jerusalém era para estabelecer a natureza judaica da cidade e levar para fora as práticas pagãs de ritual de Templo e o Helenismo da vida pública. Sob outras circunstâncias, não teria havido nenhuma insurreição nacional contra subordinação judia perante os gregos.

A importância de Jerusalém como um símbolo nacional cresceu com períodos subseqüentes de dominação estrangeira: durante a Grande Revolta de Bar Cochvá, foram cunhadas moedas em memória de Jerusalém.

 

é porém, apenas após a destruição do Segundo Templo que o significado de Jerusalém é transformado no que conhecemos hoje - um foco, ao redor que vida judaica aponta e para o qual são dirigidas as aspirações nacionais e messiânicas do povo Judeu.

Assim, não só encontramos apenas uma conexão espiritual, mas também uma física: todos os interiores de sinagagos espalhadas pelo mundo são construídas voltadas para Jerusalém. Em realidade, as orações diárias e festivas abundam em referências a Jerusalém - em recorrências à cidade e em textos mais prolongados; a liturgia contém cinco bênçãos principais relativas à Jerusalém, enquanto muitos outros rituais comunitários e caseiros também descrevem e celebram a Cidade Santa.

Jerusalém é o tópico principal de poesia hebraica pré-moderna, e o Kinot - a liturgia medieval e a liturgia subseqüênte do luto de Tisha Be'av - focando no período e novamente em Jerusalém, como lamentam os julgamentos do povo Judeu ao longo de sua história de exílio.

Como o inevitável ciclo de vida continua e se repete, inseriu-se tradições relacionadas a Jerusalém, para lembrarnos que aquela alegria plena não está completa sem Jerusalém:

 

  • um prato é quebrado na assinatura de um contrato de noivado;
     

  • um noivo quebra um copo debaixo da chupá após a cerimônia;
     

  • uma pequena seção de parede em toda casa nova é deixadas sem gesso ou sem pintura

    Por gerações, era impossível para a maioria dos Judeus sonhar em morar em Jerusalém, mas eles participaram apoiando as comunidades que lá residiam, sendo anfitriões de convidados que voltavam de Jerusalém como mais que uma forma de caridade: traziam Jerusalém para todos e todos para Jerusalém - era um modo de vida.

    A vida judaica na Diáspora estaria incompleta sem Jerusalém: a esperança de
    redenção e do retorno do povo a Eretz Israel sempre centrou-se em Jerusalém.
    É um desejo e uma esperança que são sentidos exacerbadamente e expressos em
    Tisha Be'av.

  • O Dia 17 de Tamuz

    Na tradição judaica, o 17o dia do mês Judaico de Tamuz é um dia de jejum que recorda o fim do cerco a Jerusalém e a entrada pelas muralhas da cidade por Nabucodonosor (586 aEC) e por Tito (em 70 EC). Cabe recordar que estas invasões pelos muros da Cidade Santa se deram depois de meses de cerco, nos quais os residentes da cidade sofreram extremas dificuldades, como doenças e fome.

    Além disso, a Mishná relata outra tragédias que ocorreram neste dia ao longo da
    história:

     

  • Quebra dos 10 Mandamentos - Depois do Matan Torá, a entrega da Torá, Moshé voltou para o Monte Sinai por quarenta dias para aprender os principios gerais e os detalhes da Lei, e receber os 10 Mandamentos. Mas, o Povo de Israel errou nos cálculos que Moshé deveria demorar, e, no 39o dia de sua ausência (17 de Tamuz), temendo que ele não voltasse, construíram um ídolo, o bezerro de ouro. Quando Moshé viu que a nação judaica, que acabava de selar um acordo com D'us, construíra um ídolo, foi possuído por raiva e jogou as tábuas com os 10 Mandamentos no chão, quebrando-as em pedaços.
     

  • Fim das Oferendas Diárias no 1o Templo - Nos dias da destruição do Primeiro Templo, as paredes de Jerusalém foram invadidas no dia 9 de Tamuz. Apesar de os inimigos entrarem na cidade e espalharem desolação, não conseguiram entrar no Santuário, uma vez que os Cohanim se haviam fortificado e continuavam a fazer as oferendas diárias. No 13o dia de Tamuz, os Cohanim não tinham mais ovelhas para a oferenda diária, então subornaram os soldados que os cercavam com outro e prata em troca de ovelhas. No dia 17 de Tamuz, os soldados pararam de enviar as ovelhas e pela primeira vez as oferendas diárias foram interrompidas.
     

  • Queima do Livro da Torá - No dia 17 de Tamuz, alguns anos após a destruição do Segundo Templo, durante o período do Procurador Romano Cumenus, havia uma grande tensão entre romanos e judeus. Flávius Josephus relata a queima do Rolo da Torá por Comenus e suas forças: "Na estrada real, perto de Beit Horon, ladrões compunham o cortejo de Stephanus, oficial do Império. Comenus enviou suas forças armadas para as cidades próximas e ordenou a prisão de seus habitants, que eram então trazidos perante a ele. Era seu destino que eles não haviam sido bem sucedidos em perseguir e capturar ladrões. Um dos soldados tirou o Rolo da Torá de uma das aldeias, rasgou-o e jogou-o no fogo... De todos os lados os judeus se reuniam tremendo, como se toda sua terra estivesse ardendo em fogo."
     

  • Um ídolo é colocado no Templo - Acredita-se que Apóstomos, oficial Romano, colocou um ídolo no Segundo Tempo, também no dia 17 de Tamuz.

  • Período de Reflexão

    Tishá BeAv, o nono dia do mês hebraico de Av, é tradicionalmente um dia de luto. Alguém pode tentar compará-lo à 'sexta-feira, 13', por ser um dia de extrema má sorte ao longo da História Judaica. Esta não, no entanto, uma comparação adequada, já que o Judaísmo não acredita neste tipo de sorte ou superstição, mas sim que, o homem é, em grande parte, senhor de seu ambiente e responsável por suas próprias ações.

    Esta idéia é refletida na destruição dos dois Templos. O primeiro foi construído pelo Rei Salomão, uma vez que seu pai não teve permissão de construí-lo, por ter as mãos "sujas de sangue", pelas diversas guerras em que lutou. Não seria próprio para o Templo, um símbolo da Paz, ter sido construído por um guerreiro.

    Ainda assim, o primeiro Templo foi destruído em guerra, pelos babilônios, e o exílio resultante durou setenta anos. O Talmud relata que a razão para a destruição do Templo foi a busca dominante pela idolatria, imoralidade e crimes.

    O segundo Tempo foi destruído, de acordo com as fontes da tradição, por uma única razão: "sinat hinam" ou ódio sem motivo. Acredita-se que as pessoas possuiam ódio umas das outras sem nenuhuma razão, e não havia compaixão entre elas.

    O primeiro Templo durou 420 anos, enquanto o segundo durou 410. Durações com diferença d apenas dez anos. Dez é o número de judeus necessários para um minian (quórum mínimo necessário para uma reza, para uma comunidade judaica). A falta de compaixão e o ódio da época destruiram o senso de comunidade do Povo Judeu

    Pareceria que D'us deve ter visto as transgressões que destruiram ambos os Templos no mesmo nível, e, de fato, poderia ser argumentado que o ódio era uma ofensa mais grave (o primeiro exílio durou 70 anos, enquanto o segundo...)

    O Judaísmo acredita que há dois tipos de mandamentos -- os que regulam as relações interpessoais, e os que regulam a relação entre o indivíduo e D'us. São como duas pernas. Pode ser possível se sustentar com uma só, mas para dar um passo a mais na evolução espiritual, devemos nos sustentar nas duas ao mesmo tempo.

    Se queremos fazer este dia relevante, devemos olhar para nós mesmos claramente, independentemente de nosso passado, e nos perguntar o que fizemos para sobrepor a enormidade da destruição.

    Historicamente, este dia marca diversas tragédias:

     

  • A idolatria ao bezerro de ouro
     

  • O retorno dos espiões da Terra Prometida, e seu relatório negativo - contrário à crença na habilidade de que D'us ajudarnos no mundo físico, e a rejeição da Terra de Israel como foco da nossa liberdade.
     

  • 586 aEC - Destruição do Primeiro Templo pelos babilônios.
     

  • 70 EC - Destruição do Segundo Templo pelos romanos e o início do Exílio.
     

  • 135 EC - queda de Betar, o último reduto da Revolta de Bar Kochva. Centenas de milhares de judeus foram mortos ou exilados, neste período, e a última esperança de reconquistar a independência dos romanos foi destruída.
     

  • 136 EC - Jerusalém foi destruída e a cidade romana de Aelia Capitolina estabelecida em seu lugar.
     

  • 2 de Agosto de 1492 - os Judeus foram expulsos da Espanha.
     

  • 26 de Julho de 1555 - O Gueto foi estabelecido em Roma. O Papa Paulo IV, força todos os judeus a se mudarem para uma área mal cheirosa próxima ao Rio Tiber. Os judeus foram forçados a pagar pelo muro que cercava o Gueto.

    Muitos judeus usam o 9 de Av como um dia para parar e refletir na natureza da tragédia em geral, e, mais especificamente, nas tragédias que recaíram sobre o Povo Judeu. É um período de reflexão e redescobrimento da unidade do Povo Judeu. Tradicionalmente, jejua-se de pôr-do-sol a pôr-do-sol, lê-se o Livro das Lamentações (atribuído ao Profeta Jeremias, que detalha os julgamentos e o terror da destruição do Primeiro Templo), e, além disso, abstem-se de atividades como ouvir música, sentar-se em cadeiras confortáveis e relações sexuais.

    A uma história de Napoleão relacionada a esta idéia de luto:
    Um dia, no dia 9 de Av, ele estava andando em frente a uma sinagoga e pergunto porque os judeus estavam se lamentando, e lhe foi dito que estes lamentavam a destruição do Templo. Quando ele foi destruído, perguntou Napoleão. Há 1800 anos, foi a resposta. Faço meus votos de que este povo tenha como destio sua própria pátria, pois já se viu outro povo manter vivo um luto e esperança similares por tantos anos?

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    O Nono Dia de Av

    O nono dia do mês hebraico de Av é um dos grandes dias de jejum no Calendário Judaico, quando o Povo Judeu lamenta a data das destruições do Primeiro e do Segundo Templos, com a subsequente perda da soberania e exílio da Terra Santa.

    Tishá Be'Av é o ponto culminante do período de três semanas de luto, cujos nove últimos dias são mais intensos, com a observância de vários costumes similares aos praticados em épocas de luto pela perda de um familiar próximos. Estas três semanas começam no dia 17 de Tamuz, data em que o acesso de Jerusalém as fontes de água fora da cidade foi bloqueado durante o cerco. Esta é também a data em que Moisés quebrou as primeiras Tábuas da Lei quando desceu do Monte Sinai, após quarenta dias, para encontrar o povo idolatrando o Bezerro de Ouro.

    O dia 9 de Av é o dia em que a fortaleza de Betar foi derrotada, a data da expulsão dos judeus da Espanha, o início das deportações dos judeus do Gueto de Varsóvia...

    O dia é marcado publicamente no Estado de Israel com o fechamento de restaurantes, locais de entretenimento, etc, desde a véspera, com as lojas de comida abrindo apenas na manhã do dia seguinte. O dia é interpretado através de seu significado religioso e também sua importância por ser a data da perda da soberania nacional judaica na Terra de Israel, mesmo entre as pessoas que optam por não jejuar.

    A observância tradicional inclui a leitura do Livro das Lamentações, os Kinot ver abaixo), um jejum de 25 horas e privação de confortos e contato físico. Em Jerusalém, centenas de pessoas se dirigem ao Kotel, o Muro Ocidental e único remanescente do Segundo Templo para lembrar a destruição, rezando pela redenção.

    Através dos Tempos

    Avraham foi enviado para sacrificar seu filho, Isaac, no monte Moriá, local hoje conhecido como Monte do Templo. Este evento esta intrinsicamente ligada à santidade do local.

    A conexão física entre o Povo Judeu e Jerusalém torna-se importante quando o Rei David a conquista dos Jebuseus, comprou o terreno do Monte do Templo e transformou a cidade em sua capital.

    Depois da destruição do Primeiro Templo, a maior parte da população judaica foi levada para o exílio na Babilônia, onde jurava chorar por Tzion. "Se eu esquecer de ti, ó Jerusalém, que minha mão direita esqueça sua destreza e que minha língua prenda-se ao seu de minha boca, se eu não me lembrar de ti, se eu não colocar Jerusalém à frente de toda minha alegria."

    No tempo dos macabeus, a essência da luta por Jerusalém foi estabelecer a natureza judaica da cidade, e acabar com as práticas pagãs do ritual do Templo e com o helenismo na vida pública. Sob outras circunstâncias, não haveria um levante nacional judaico contra a subordinação aos Gregos.

    A importância de Jerusalém como símbolo nacional cresceu com consecutivos períodos de domínio estrangeiro: durante a grande revolta de Bar Cochva, moedas foram gravadas em memória a Jerusalém.

    Entretanto, é apenas após a destruição do Segundo Templo que o significado de Jerusalém se transforma no que conhecemos ohje - um ponto de foco, ao redor do qua a vida judaica circunda, e para onde todas as aspirações nacionais e messiânicas judaicas são dirigidas.

    Portanto, vemos que não há apenas uma conexão espiritual, mas também uma conexão física: todas os interiores de sinagogas pelo mundo são construídos voltados para Jerusalém. De fato, as orações diárias e festivas estão repletas de referências a Jerusalém.

    Jerusalém é a inspiração da poesia hebraica moderna, e os Kinot - liturgia medieval de luto de Tishá Be'Av - também referen-se constantemente à Jerusalém e às vezes que esta foi conquistada dos judeus ao longo da história.

    Como o ciclo da vida continua e se repete, tradições ligadas à Jerusalém fazem parte das celebrações judaicas, para lembrarmos sempre que nossa alegria não é completa sem Jerusalém:

    - um prato é quebrado quando é feito um noivado.
    - o noivo quebra um copo de vidro sob a chupá, após a cerimônia de casamento.
    - uma pequena parte da parede em cada casa judaica é deixada sem acabamento
    (ou sem pintura).

    Por várias gerações era impossível para a maioria dos judeus sonhar em viver em Jerusalém, mas estes sempre ajudaram as comunidades que lá viviam, ajudando-os a arrecadar fundos. Esta era mais que uma forma de caridade: trazia Jerusalém para cada um, e cada um para Jerusalém!

    A vida judaica na Diáspora seria incompleta sem Jerusalém: a esperança pela redenção e pelo retorno do Povo Judeu para a Terra de Israel sempre foram focados em Jerusalém.

    Este é um sentimento bastante sentido e expresso em Tishá Be'Av.