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Assará BeTevet

   
 

O Mês de Tevet

O jejum de Tevet cai no décimo mês contado a partir do mês de Nissan, daí sua identificação bíblica como "o Décimo Mês". O nome Tevet é babilônico, e pode ser encontrada na Meguilat Ester.

O mês de Tevet geralmente tem 29 dias. Seu símbolo no zodíaco é a criança, representando o período quando o rebanho vai para o pasto, na Terra de Israel. Dizia-se que as chuvas de inverno eram comuns nos dois meses anteriores, e cessavam em Tevet, quando o rebanho podia encontrar pasto suficiente para se saciar. Era sinal de virtuosidade para o resto do ano.

Eventos:

1. O Jejum de 10 de Tevet

Neste dia, durante o reinado de Nabucodonosor, inicio-se o cerco a Jerusalém, anterior à destruição do Primeiro Templo. Os habitantes de Jerusalém nunca haviam conhecido período de tanta fome. Este triste dia foi proclamado de jejum pelos rabinos, para celebrar a destruição do Templo e a conseqüênte dispersão do Povo Judeu. Os sábios constataram que este dia deveria ser usado para lembrança dos eventos que levaram ao cerco. Nos dias modernos o dia 10 de Tevet foi estabelecido pelo Rabinato Central de Israel como dia de luto por todos aqueles que pereceram no Holocausto, e cuja data de morte (Yahrzeit) é desconhecida. O dia é marcado por programas educativos especiais nas escolas.

2. A Septuaginta

Durante o mês de Tevet, de acordo com os cálculo do Talmud, ocorreu um fato estranho, mas miraculoso. O Rei e tirano grego Talmi (séc. III a.e.c.) ordenou que escribas Judeus que viviam sob seu domínio na Judéia traduzissem a Torá (Pentateuco) para o grego. O objetivo do exercício era, obviamente, desacreditar tanto os sábios quanto a Torá. Foram escolhidos 72 sábios em diferentes localidades, cada um tendo recebido as instruções separadamente, e sem terem contato entre si. O Talmud relata como os escribas se inspiraram, e fizeram traduções absolutamente idênticas, sem qualquer discrepância entre elas. O termo Septuaginta, usado como tradução para o grego da Bíblia, é baseado nesta história.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Enlutados pelas Vítimas do Holocausto

O dia 10 de Tevet foi escolhido como Dia Nacional de Luto pelas Vítimas do Holocausto cuja data de morte não é conhecida. Por que o dia 10 de Tevet foi escolhido para ser um dia de luto?

Panorama Histórico

O Holocausto atingiu proporções tão grandes de matança, que para a maioria dos mortos não foi possível determinar uma data para se celebrar o Yahrtzeit (aniversário de morte). Para muitos, também não havia sobreviventes para rezarem o Kadish (reza feita em memória pelos enlutados), então, como estas vítimas seriam lembradas?

Em 1948, o récem determinado Rabinato Central de Israel propôs um Dia Geral de Kadish para ser recitado em memória a todos que se encaixavam nestas categorias acima. Eles escolheram o 10 de Tevet, que tradicionalmente marca o início do cerco a Jerusalém que levou à destruição do Templo.

A Escolha do Dia

A escolha do dia claramente reflete a incorporação de uma tragédia contemporânea na tradição judaica. Umas das discussões geradas foi se isto não estaria se sobrepondo à Halachá, introduzindo-se novas formas de ritual no já tradicional ritual judaico

Ao escolher esta data, os rabinos estavam claramente assumindo que a tragédia do Holocausto deve ser vista dentro do contexto das catástrofes associadas
à destruição do Templo e da Independência Judaica. Mas por que não escolher Tishá (9) BeAv, que é sem dúvida a principal representação desta noção, enquanto 10 de Tevet é sem dúvida a data menos significativa do calendário
judaico?

De fato, o dia nacional para lembrança de todas as vítimas do Holocausto, Iom HaShoa VeHaGvura foi determinado no dia 27 de Nissan, depois dos dias felizes de Pessach, e próximo a Iom HaAtzmaut, dia da Independência de Israel, identificando claramente uma data significativa para a lembrança do Holocausto.

A escolha do 10 de Tevet como dia de memória para aqueles cujo Yahrzeit é desconhecido é mais do que uma concessão rabínica: o jejum é significativo pois representas a semente da destruição. O Holocausto, assim como a Destruição dos dois Templos, não aconteceram isoladamente. Foram eventos planejados sistematicamente.

Também havia sido sugerida a proximidade desta data com os eventos felizes de Chanucá, quando os serviços no Templo foram reestabelecidos após as medidas
opressivas por parte dos tiranos gregos, quando a independência judaica foi renovada, servindo para ensinar uma importante lição: na prática, as conquistas dos hasmoneus tiveram curta duração. Em menos de cem anos do sucesso militar e espiritual de Yehuda HaMacabi, os Judeus voltaram a entrar em conflito, e a influência estrangeira novamente invadiu a tradição judaica.

Portanto, o jejum de 10 de Tevet implora para que cada Judeu considere não apenas os eventos pelos quais eles passaram, mas também os que seus antecedentes vivenciaram, e as conseqüências que eles tiveram. Isto é claramente alimento para nossos pensamentos, nos dias de hoje, na justaposição
deste jejum e a não-tão-insignificante lembrança às vítimas do Holocausto.