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Chanucá

 

Al HaNissim - Pelos Milagres

A estrutura desta oração tem duas partes. A primeira parte é a introdução geral, e é apropriada tanto para Chanucá quanto para Purim. Reflete a gratidão nacional do Povo Judeu por D'us ter realizado milagres por nós, em pontos chave de nosso história, permitindo que, literalmente, sobrevivessemos.

Esses milagres eram ambos "nisim niglim," "milagres abertos," como so que foram feitos para o Povo Judeu no primeiro Chanucá, na vitória dos Chashmonaim sobre os gregos e seus aliados, e "nisim nistarim," "milagres escondidos," como D'us realizou por nós no tempo do primeiro Purim. O milagre de Purim esta escondido no sentido de que o envolvimento de D'us não estava aparente (explicitamente visível), e foi operado tendo como pano de fundo a intriga no palácio persa, e envolveu um perfeito sincronismo de tempo e aparentes 'coincidências'.

O texto desta introdução é o seguinte:

"E (nós Te agradecemos) pelos milagres, e pela salvação, e pelos feitos poderosos, e pelas vitórias, e pelas batalhas que Tu realizaste por nossos antepassados naqueles dias, naquele tempo."

Como uma oração de agradecimentos, o "Al HaNisim" se encontra na seção do Shmoná Esrê (Amidá) reservada para as expressões de gratidão a HaShem, e numa posição similar no Bircat HaMazon, onde a gratidão é estendida para além da sustentação física imediata, para a gratidão em termos históricos. Na versão diária, o Bircat HaMazon agradece Hashem pela herança de Eretz Israel; em Chanucá e Purim, Hashem é agradecido, também pelos milagres que realizou por nós em cada uma destas ocasiões.

"Al HaNisim" - Seção de Chanucá

Aqui, a narrativa, consideravelmente maior do que na seção de Purim, uma vez que a ameaça era mais complexa (não apenas o genocídio físico), cobre a omissão no Talmud da vitória militar dos Chashmonaim.

Aqui, a natureza da ameaça é primeiramente definida, "ke'sheomda Malchut Yavan ha'reshaah al amecha Yisrael," "quando Yavan, o 'Império do Mal,' se levantou contra nossa nação, Israel," "le'hashkicham Toratecha u'lehaaviram mi'chukei retzonecha," "para fazê-los esquecer Tua Torá, e para removê-los da observância dos estatutos que Tu desejas."

Foi basicamente uma ameaça para forçar a rejeição do Povo Judeu pela Torá e pelo seu modo e vida, em favor da cultura grega.

Quando a ameaça de força incrível teve oposição de Matitiahu e seus filhos, Tu vieste em seu socorro, "masarta gibborim beyad chalashim, ve'rabim beyad me'atim, u'temaim beyad tehorim" "Tu entregaste o poderoso nas mãos do fraco, os muitos nas mãos dos poucos, e o impuro nas mãos dos puros..."

E com que propósito Tu lhes deste a vitória?

"U'lecha asita shem gadol ve'kadosh be'olamecha," "E para Ti fizeste um nome grande e santo em Seu mundo," "U'leamcha Israel asita teshua gedola u'phurkan ke'hayom hazeh," "E para o Teu Povo, Israel, fizeste uma grande salvação e redenção naquele exato dia..."

O milagre do óleo também é mencionado, mas apenas indiretamente. "Ve'achar kach bau vanecha li'dvir beitecha u'phenu et heichalecha, ve'tiharu et mikdashecha, ve'hidliku nerot be'chatzrot kadshecha," "e depois, Teus filhos vieram em Tua casa sagrada, e limparam Teu palácio, e purificaram Seu Templo, acenderam luzes e seus páteos sagrados."

E foram estes eventos, a enfática vitória militar e a purificação e dedicação do Templo De D'us que ambientou a seqüência de fatos históricos que levou ao estabelecimento de Chanucá, "VeKavu shemonat yemei Chanukah elu le'hodot u'lehallel le'shimcha ha'gadol," "E eles estabeleceram esses oito dias de Chanucá para agradecer e louvar Teu grande nome."

Claramente, foi a vitória militar que, de alguma forma análoga (mas em outro nível) à vitória do Estado Israel na Guerra dos Seis Dias, foi o fato grandioso perante os olhos do Povo; outros milagres, também grandiosos, talvez de fato ainda mais significativos foram vistos naquele tempo como secundários. Isso foi reconhecido por aqueles que escreveram as palavras desta oração, que enfatiza a vitória militar.

 

 

Por que 8 Dias?

Você percebe que há mais na vida do que aquilo que você consegue tocar, sentir ou cheirar? Que há uma dimensão da realidade que não pode ser vivenciada por nenhum de seus sentidos - mas que é tão real quanto o sentimento que você tem quando segura na mão de alguém que ama? Você já ponderou que a alma, o núcleo não-físico do seu ser, não pode ser detectado pela tecnologia do raio-x? Você acredita em D'us?

Se você respondeu sim para qualquer uma destas questões, então Chanucá é a festa para você!

Aqui vão os motivos:

O mundo foi criado em sete dias. Existem sete notas na escala musical, sete dias na semana. Então, o número sete representa o mundo físico que podemos tocar, cheirar e sentir.

O número oito, por outro lado, transcende o mundo natural. É por isso que os dias miraculosos de Chanucá são oito. Embora o oito emane de além dos nossos sentidos, sua alma pode alcançá-lo e ser tocada por sua força...

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Decreto anti Brit Milá

Os gregos tinham um desgosto particular da prática judaica do Brit Milá, a circuncisão dos garotos judeus aos oito dias após seu nascimento. De fato, eles colocaram a prática do Brit Milá fora da lei local.

Por que tamanha oposição?

Primeiramente, a circuncisão ofendia o ideal grego de perfeição do corpo humano. A nudez pública era aceita na sociedade grega pois cada corpo era considerado uma obra de arte. Os atletas olímpicos gregos competiam completamente despidos. Para os gregos, a circuncisão era a mutilação de uma obra de arte, como grafitar em uma obra de Renoir.

Para o judeu, o Brit Milá é uma das mais essencias expressões da identidade judaica. Um ser humano pode apenas atingir sua maior beleza caso seja afetado por uma relação com D'us. O corpo perfeitamente esculpido reconhece e abraça a realidade de sua alma transcendental.

Durante o período de opressão grega, o Brit Milá era intolerável. Se tornou um crime capital.

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Dias de "Oito"

"Os grandes sábios proclamaram estes dias para a música e a alegria."

- de "Maoz Tzur - Rocha da Salvação", cantada a cada noite, após o acendimento da Menorá de Chanucá.

Quando os judeus recapturar o Tempo Sagrado dos gregos, a primeira coisa que fizeram foi acender a Menorá de ouro. Eles tinham óleo apenas para durar um dia, e levaria outros sete para preparar mais. Mas um milagre aconteceu. Ao invés de queimar por um dia, a Menorá permaneceu acesa por oito dias. Hoje, acendemos nossas Menorot por oito dias para lembrar deste milagre e para nos inspirarmos por sua mensagem.

Num nível mais profundo, os dias de Chanucá são oito dias de transcendência. Dias de oportunidade para olharmos para dentro de nos mesmos e para além, para sentir que há mais em nossa existência que o mundo ou a natureza jamais poderiam conter.

Os gregos detestavam o Brit Milá por causa de "seu oito", sua transcedentalidade. O milagre do óleo que durou por outro dias como uma lembrança de que a vida judaica vem da "Rocha" da transcendentalidade.

por Rabbi Shimon Apisdorf - Let's get deep, mystical, philosophical, and transcendent for a few minutes. No ancient Greeks allowed.

 

 

Chanucá - Para quê a luz?

Como sabemos, nossos sábios adotavam uma postura ambígua em relação à festa de Chanucá. Por um lado, ela é mencionada na Mishná e na Guemará, mesmo que de forma muito limitada. Mas, por outro lado, não são mencionados os reis da casa dos hashmonaim e eles são até criticados, como a dizer que este movimento de restauração eclesiástica por mais que tenha começado com bons objetivos terminou em um fiasco político e na destruição do nosso Beit Hamikdash.

Não há dúvidas de que, no seu inicio, se tratava de um movimento restaurador muito forte. A força do movimento é a própria força da Torá, cuja luz iluminou os heróis de Chanucá para conseguirem as façanhas que realizaram.

Para recordar estes fatos, acendemos as luzes da chanukiá ou, simbolicamente, acrescentamos luz onde falta, iluminando assim a vida das pessoas mais afastadas. Se analisarmos as leis de Chanucá, veremos que os próprios detalhes da prática desta mitzvá revelam alguns dos seus segredos.

O Talmud [Shabat, 21b] diz: "A mitzvá de acender é desde que se põe o sol até que terminam as pernas no mercado". A intenção prática é que a mitzvá tenha um intervalo definido de tempo – desde o pôr do sol até que não haja mais gente na rua, o que nos deixa entre 30 e 40 minutos com a chanukiá acesa. E por quê? Porque toda a idéia da chanukiá é pirsume nissá - a divulgação do milagre. Por isto, acender quando já não há gente na via pública não faz publicidade de nada e não tem vigor. Nas entrelinhas enxergamos outra interpretação desta regra da Halachá, algo mais ligado aos nossos dias. O início do tempo de acender é definido como mishetishka hachamá - desde o pôr do sol. Mas talvez a idéia seja falar de modo geral sobre a época em que há uma forte necessidade de acender as luzes da Tora. Elas devem ser acesas quando faltam as luzes, nos tempos difíceis, de escuridão, quando se põe o sol do mundo, quando as pessoas se sentem desorientadas. Este é o momento de divulgar a nossa luz espiritual, cumprindo o conceito da chanukiá de pirsume nissá, divulgação do milagre. A Guemará nos diz que a luz de uma única vela não se destaca em pleno dia. Confrontada com a magnífica luz do sol, a pequena chama de uma vela não tem sentido nenhum.

A Mishná, no fim do tratado Sotá, previu nossa época dizendo que "no calcanhar do Mashiah a falta de educação crescerá, a vida será mais cara, a videira dará frutos mas o vinho será caro... a sabedoria dos sábios desaparecerá... faltará a verdade, os jovens não respeitarão os velhos, os velhos se colocarão em pé diante dos jovens... sobre quem poderemos nos apoiar? Sobre o nosso pai dos céus".

Durante gerações, o mundo era pleno de valores e cada povo tentava seguir uma linha de ética. Neste contexto, a luz da Torá não chamava tanto a atenção. Mas na atualidade, no nosso mundo pós-modernista, quando há uma enorme escuridão espiritual, uma profunda crise de valores, quando ninguém sabe, filosoficamente, discernir entre o bem e o mal, a propagação da Torá se torna ainda mais importante. E o mérito daqueles que se dedicam a isto é maior porque eles estão, virtualmente, salvando e iluminando a humanidade.

Até quando vamos nos esforçar propagando a luz da verdade?

Disse a Guemará: "até que desapareçam a pernas do mercado". Perna, em hebraico, é reguel, da mesma raiz que raguil – acostumado. Novamente nos traz Guemará uma indicação para momento atual: nosso trabalho terminará quando a humanidade superar esta fase atual, da "sociedade de consumo", onde, às vezes, a única medida do valor de uma pessoa é o seu peso em ouro. Partes fundamentais da nossa crise provêm do fato de que tudo está projetado e produzido sob medida para o consumidor. Que, aliás, sempre tem razão. Esta não é uma postura ética de valor e sim mero comodismo. Modificar esta postura, indicada na Mishná que mencionamos, e a idéia de divulgar o milagre da Torá deve ser nosso foco de trabalho até conseguirmos transformar essa triste realidade.

Qual a forma e mentalidade necessárias para se empenhar nessa tarefa?

Uma outra regra famosa das leis de Chanucá nos dá pistas para resolver esta questão. A Guemará disse: "O acender da chanukiá faz a mitzvá e não o fato de colocá-la em um certo lugar". Acender, em hebraico, se diz hadlaká – da raiz delek, combustível. Significa dizer que nossa postura tem que ser a de pessoas conscientes de sua responsabilidade, e esta consciência, numa sociedade moderna, nos exige muito dinamismo e criatividade. Temos que acrescentar e desenvolver o tempo todo novos argumentos, idéias frescas, para atrair cada vez mais público para dentro do caminho da Torá. O contrário disso é uma postura de hanachá da raiz noach – cômodo, que traduz-se em uma postura apática, não dinâmica, buscando o descanso e as soluções fáceis para os problemas.

Isto guarda uma estreita relação com a nossa parashá, que começa querendo contar sobre a descendência de Iaakov e termina contando a longa e complicada história de Iossef, com todos os problemas e os anos de tristeza que trouxe para Iaakov. Sobre este fato, o Midrash trazido por Rashi nos conta que Iaakov, depois dos anos de sofrimento com Lavan, em Aram, e do difícil reencontro com Essav, já queria descansar em Israel. Mas D'us não permitiu e trouxe o problema com Iossef. Por quê? Porque “os tzadikim não tem descanso nem neste mundo nem no mundo vindouro”. Esta deve ser uma característica do tzadik – o dinamismo e o crescimento contínuos, para poder atualizar e divulgar cada vez com força renovada a palavra da Torá, até alcançar o concerto mundial.

 

 

“Hanukando” – repensando Chanucá

Introdução

Toda festa judaica tem bases histórica, literária, ecológica e/ou ligada à natureza... além de rituais e comidas típicos e simbólicos!

Chanucá congrega estes elementos - fatos históricos (período helenista, revolta judaica), livros pós-bíblicos (Judite, Macabeus, Talmud), natureza (solstício de inverno) - convergindo ao reforço do monoteísmo ético judaico.

Seu simbolismo é fascinante – bem como os questionamentos que suscita. Escrever um pouco sobre eles é minha forma de desejar Hag há-Urim Sameach, Feliz Festa das Luzes!

Fatos e lendas [1]

Desde a morte de Alexandre da Macedônia, no ano 323 a.e.c., os governantes gregos da Palestina fizeram contínuos esforços para forçar o povo judeu a abandonar sua fé e adotar as idéias e costumes helenísticos. A maioria do povo resistiu. O Rei Antíoco da Síria, em 175 a.e.c. empregou força, culminando com a profanação do Templo de Jerusalém, obrigando os judeus a ajoelharem-se ante os ídolos que ali instalou.

Na aldeia de Modiin, o sacerdote Matitiahu, da família dos Hashmoneus, colocou-se à frente da revolta, com seus cinco filhos, seguidos de um audaz grupo de judeus. Chegaram a bater seus inimigos, a princípio nos montes da Judéia e, mais tarde em toda a região, até Jerusalém. Foi a luta de um punhado de homens contra uma multidão, de fracos contra fortes. Venceram grandes exércitos sírios, possuidores de elefantes e máquinas de guerra. Como divisa, os judeus inscreveram em sua bandeira as palavras da Torá: “Quem é como Tu entre os deuses, Senhor?”, de cujas iniciais hebraicas formou-se o nome Macabeu (Macabi), sob o qual ficaram conhecidos os guerreiros. Makevet, do mesmo radical em hebraico, significa martelo, aludindo aos golpes assentados ao adversário. De acordo com outra teoria, Macabeu era o grito de guerra dos judeus contra os sírios.

Em 25 de kislev de 165 a.e.c. (3 anos após a profanação), os macabeus entraram no Templo e voltaram a dedicá-lo ao serviço de D'us.

O Talmud acrescenta: "Quando os Hashmoneus venceram os gregos, fizeram uma busca no Templo e encontraram somente um frasco de azeite intacto e inviolado com o selo do Cohen Há-Gadol (Sumo Sacerdote). Este continha azeite suficiente para iluminar um dia, mas ocorreu um milagre e a menorá permaneceu acesa durante oito dias. Um ano depois, a data foi designada festividade em que se recita o Halel e oração de graças." (Shabat 21b).

Para recordar a vitória dos Hashmoneus e o milagre do óleo, celebramos a festa de Chanucá (inauguração), cujo nome refere-se à reinauguração do Templo, após a vitória.

A luta continuou. Iehuda e seus irmãos Ionatan e Shimon, continuaram fortalecendo o país e revogaram os éditos de Antíoco, proclamado a Judéia um estado independente. Shimon tornou-se Príncipe da Judéia, instituindo a dinastia de Hashmoneus, que ampliou as fronteiras do reino; no tempo do Rei Alexandre Ianai estendia-se do deserto além do Jordão até o Mediterrâneo e do Líbano até Rafia. A dinastia continuou reinando depois da conquista romana em 67 a .e.c até a morte do último rei Hashmoneu, em 37 a .e.c.[2]

Uma explicação menos conhecida para a festa remonta a tempos bíblicos: um ano após o Êxodo do Egito, em 25 de Kislev, foram concluídas as obras do Mishkán, o Tabernáculo.

Não posso deixar de mencionar entre possíveis origens arquetípicas (como outras festas, regulamentadas pelos rabinos sob a égide judaica monoteísta) festividades pagãs para deuses representando o sol, já que nesta época, no hemisfério norte, ocorre o solstício de inverno: os dias tornam-se cada vez menores e, celebrações com luzes e comidas eram realizadas, na esperança do reaparecimento do sol e de um inverno não rigoroso demais.

Celebrando
· Acendemos a chanukiá.

A festa dura oito dias. À noite, acendemos com uma vela auxiliar (shamash) um candelabro de oito braços (chanukiá ou menorát chanucá). Na primeira noite acendemos uma, adicionando outra a cada noite, até a oitava, quando acendemos todas as velas. Uma chama é suficiente para acender a fé e, sendo pura, veremos sua luz aumentar dia a dia. Chanucá é chamada também Hag ha-Urim, a Festa das Luzes.

A maioria das pessoas usa velas normais de parafina na chanukiá. Outros preferem acender pavios dentro de óleo, em recordação ao milagre no Templo. A azeitona e seu óleo são símbolos do Povo Judeu, porque conseguimos o azeite mais puro prensando a azeitona com força. Na vida sofremos muita pressão e, às vezes, é nas horas perto de quase ruptura, que nossas melhores características despontam e brilham. Perseverar e sobrepujar enormes pressões são desafios decisivos da vida e um tema recorrente na História Judaica.

· Cantamos e rezamos Hanerot Halalu ou Al há-nissim (pelos milagres) e Maoz Tsur.

A tradução de Hanerot Halalu (Estas velas) é: "Nós acendemos estas velas pelos milagres e feitos maravilhosos que realizaste para nossos antepassados, naqueles dias, nesta época, por intermédio dos Teus sacerdotes. Durante os dias de Chanucá estas luzes são sagradas e não nos é permitido fazer outro uso delas, apenas olhá-las para podermos agradecer e louvar Teu grande Nome, por Teus milagres, teus feitos maravilhosos e Tuas salvações".

Maoz Tsur (Rocha Poderosa) é um louvor a D'us por ter nos libertado sucessivamente da opressão egípcia, babilônica, persa e helenista. Como as letras iniciais das estrofes formam a palavra Mordechai, supõe-se que seja o nome do autor. A poesia foi escrita por volta do século XIII; a melodia é uma adaptação de uma canção folclórica alemã do século XV.

· Comemos levivot / latkes (panquecas de batata), sufganiot (sonhos) e alimentos de queijo.

As frituras lembram o milagre do óleo; as panquecas e o queijo, lembram a atuação de Judite (ver adiante). Costumo repetir a anedota que o resumo das festas judaicas é: "Tentaram nos derrotar. Vencemos. Comamos!" Estas comidas simbólicas caracterizam a culinária judaica e influenciaram a universal. Assim como encontramos em Pessah a origem do sanduíche[3], Chanucá "institucionalizou" a batata frita, os crepes, queijos e vinhos, cheese cake e donuts!

· As crianças brincam com sevivon (hebraico savov=girar) ou dreidel (ídishe dreyen=girar).

Embora jogos de azar sejam proibidos pelo judaísmo, em Chanucá jogamos um pião de 4 faces, com uma letra hebraica inscrita em cada, iniciais das palavras que formam a frase Nes Gadol Haia Sham= uma grande milagre aconteceu lá. Em Israel troca-se a última letra por pe (de po= aqui). Cada face tem um valor numérico, que determina o vencedor do jogo. Na época do domínio sírio, o estudo da Torá era proibido sob pena de morte, e o Talmud era estudado oralmente, em grupo. Para contornar a proibição e camuflar as reuniões de estudo, levavam consigo piões. Quando uma autoridade síria chegava, começavam a girar o pião, fingindo estarem se divertindo, sendo um jogo comum na época.

· Costumamos dar dmei Chanucá ou Chanucá guelt (dinheiro) para as crianças.

Assim lembramos as moedas cunhadas pelo Macabeus após a vitória. Pedagogicamente, visa a participação ativa das crianças em homenagem ao menino que encontrou o frasco de azeite, com uma quantia para fazerem o que quiserem, como comprar doces para alegrar a festa: educando com identificação e motivação!

As luzes
A fim de distinguir as luzes de Chanucá, elas são acesas em lugar diferente de onde são acesas o ano inteiro, imediatamente após o surgimento das estrelas. As velas ou o azeite deverão iluminar pelo menos por meia hora. Até algum tempo atrás, colocava-se a chanukiá do lado de fora da casa, na entrada. Devemos acender perto de uma janela ou porta para pirsumei nissá, divulgar publicamente o milagre (Shabat 21b 23b). As luzes de Chanucá devem ser uma fonte de fé e inspiração para todos os homens, de todos os credos e povos.

Antes de acender a chanukiá na primeira noite, dizemos três bênçãos; nas seguintes somente as duas primeiras. A segunda é: Baruch atá Ado-nai Elokenu melech ha-olam she-assá nissim laavotenu baiamim hahem bazman ha-zé (Bendito és Tu Senhor nosso D'us Rei do Universo, que fez milagres para os nossos antepassados naqueles dias, neste tempo).

Quando dizemos “naqueles dias, neste tempo” (como em HaNerot Halalu), reafirmamos a crença no judaísmo atemporal, vinculando nosso presente ao nosso passado e ao futuro.

Milagres continuam acontecendo, todos os dias. Todos nós conhecemos ou vivemos uma estória real com o miraculoso toque divino. Talvez sem os "efeitos especiais" de milagres do passado; talvez sem uma visão especial nossa, sem que os percebamos como tais...

Repensando
Chanucá destaca a atuação de duas heroínas: Hana, que negou-se a renunciar à sua religião, não cedendo nem mesmo quando seus 7 filhos foram mortos, um após o outro, e foi também morta e Judith, que conseguiu iludir o general inimigo Holofernes servindo-lhe panquecas de queijo e embriagando-o; cortou sua cabeça e entregou-a a seus compatriotas. Seu desaparecimento desmoralizou os soldados, que fugiram da cidade, livrando-a do cerco.

Chanucá simboliza a luta de poucos contra muitos, dos fracos contra os poderosos, a luta pela liberdade de culto - a eterna luta do povo judeu por sua existência.

Os Macabeus rejeitaram idéias pagãs que ameaçavam a continuidade do Judaísmo, porém incorporaram o que era compatível com valores judaicos.

Conseguiremos desenvolver uma identidade que nos permita conviver com o mundo exterior sem nos sentirmos ameaçados e, ao mesmo tempo, apreciar e assimilar o que há de bom em volta? Dependendo de como internalizamos os valores judaicos podemos interagir com o mundo como judeus e como cidadãos universais. No dizer do Rabino Sobel, a luta dos Macabeus ensina que “particularismo e universalismo não são mutuamente exclusivos. Não podemos e não devemos optar entre o gueto e a assimilação.” [4]

O professor Sami Goldstein escreveu sobre um lindo e inspirador aspecto simbólico: “A Chanukiá simboliza a humanidade. Cada vela representa o ser humano, uma vez que "a alma do homem é a vela de D'us" (Provérbios 20:27). O Shamash - a vela com a qual acendemos as demais - representa nosso desafio perante o mundo em que vivemos.

Em nosso cotidiano, freqüentemente nos deparamos com pessoas cujos "pavios" estão apagados. São aquelas que, por qualquer motivo, estão tristes, sozinhas, desamparadas ou abandonadas. A escuridão de suas vidas torna-se cada vez mais densa à medida que seus objetivos parecem-lhe mais e mais distantes ou até mesmo impossíveis. Pessoas estas que não precisam de muito; apenas de nossa atenção, carinho, amor e dedicação. Mesmo em meio à multidão, não conseguem ver sua chama brilhar; não são vistas.

Nossa missão é doar nosso brilho e fazer com que elas tenham calor humano correndo em suas veias. Compete-nos fazer com que se sintam amadas, respeitadas, valorizadas e especiais. Mas é importante notar que todas estão no mesmo nível. E, mais fundamental ainda: a Mitzvá só é cumprida em sua plenitude quando todas as velas são acesas em conjunto. Somente unidos- juntos e presos pelos mais resistentes elos da dedicação ao outro - poderemos garantir que Chanucá continue sendo motivo de orgulho por gerações.” [5]

Podemos ser velas, dissipando a escuridão. Um ilumina um canto; juntos, o mundo.

Lembremos ainda que Chanucá vem do mesmo radical hebraico de chinuch, que significa educação. E educação não se promove com grandiosos prédios, mas com valores e práticas.

Será que os judeus de hoje se posicionariam ao lado dos Macabeus? Será que você seria um Macabeu?[i] [6] Os gregos trouxeram civilização e progresso aos lugares que conquistavam, incluindo em seu panteão de deuses, os dos povos conquistados. Exigiam a aculturação, dentro do caldeirão da civilização e religião gregos. A comunidade Judaica estava dividida. Alguns acreditavam ser a assimilação positiva, uma influência modernizante. Um pequeno grupo se opôs e preparou-se para lutar e morrer para preservar o Judaísmo.

Não foi uma guerra por princípios abstratos de tolerância religiosa, mas uma batalha contra a assimilação, lutada por quem a Torá era sua vida e inspiração. Nós estaríamos com os Macabeus ou acharíamos que a assimilação era o caminho para o futuro? Vivemos uma crise de identidade como há 2.500 anos...

Muitas questões permanecem em aberto. Seriam os Macabeus somente baluartes da fé, guerrilheiros ou exacerbados nacionalistas? Ou uma combinação dos três?

E as heroínas, de atitudes extremistas? Pergunto-me, enquanto mãe, se seria capaz de assistir a morte de meus filhos, mesmo por Kidush haShem (fidelidade e santificação de D'us) ou se, como séculos mais tarde, na Península Ibérica, optaria por fugir ou por aceitar uma conversão aparente – para santificar D'us em vida e não com a morte... E Judite? Não teria sido ela a maior estrategista, planejando e executando a liderança do exército inimigo?

Seria Chanucá uma sábia forma de absorver judaicamente festejos populares pagãos, determinando um novo sentido, envolvendo o povo, motivando-o ao invés de afastá-los do judaísmo de forma sectária? Ou uma batalha da eterna luta contra a assimilação? Ou uma reação contra os próprios judeus helenizados?

Qual o real milagre de Chanucá? A vitória militar? O óleo puro que durou oito dias? A participação decisiva das mulheres num mundo machista?

Ou estarmos agora, milênios depois, celebrando e repensando Chanucá e/ou termos sobrevivido como judeus através da História?

Felizmente não temos respostas definitivas! Espero que as luzes de Chanucá iluminem nossos corações e mentes na busca de respostas (e novos questionamentos!), que permaneçam ardendo e mantendo o fogo da fé que aquece corações, não a tocha do ódio ou fogueiras de vaidades, e que possam ajudar a romper as trevas dos tempos tenebrosos de terror que estamos vivendo, iluminando e eliminando a intolerância!

---A autora é Doutora em Língua Hebraica, Literaturas e Cultura Judaica- USP, Professora e Coordenadora do Setor de Estudos Hebraicos da UERJ, Professora do ISTARJ, Fundadora e ex-Diretora do Programa de Estudos Judaicos –UERJ, Professora e Coordenadora do Setor de Hebraico – UFRJ (aposentada), Coordenadora do Grupo de Estudos Beer Miriam–ARI, membro do Diálogo Judaico-Cristão, escritora

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[1] Ver livro da autora "A luz da Menorá", Capítulo IV, m. (p.82 a 86)

[2] Ver www.hebraica.org.br/culturajudaica/Chanuca/index.htm

[3] Ver artigo da autora "Pessah e a origem do sanduíche", www.riototal.com.br/comunidade-judaica - Variedades

[4] Os Porquês do Judaísmo, Capítulo 12: Chanucá Rabino Henry Sobel www.cipsp.org.br

[5] O Brilho da Fé, do Prof Sami Goldstein, Sinagoga Francisco Frischmann de Curitiba www.netjudaica.com.br

[6] Ler artigo do Rabino Nachum Braverman de Los Angeles, Meor haShabat, www.eifo.com.br/indexpar.html

Profª Drª JANE BICHMACH

 

 

O Brilho da Fé

Há mais de 2000 anos, a antiga Israel fazia parte do Império Sírio, sendo governada pela dinastia dos Selêucidas. Não levando em consideração a tradicional liberdade religiosa delegada por seus precursores, os Ptolomeus, estes se recusaram a deixar os judeus em paz espiritual. Em 25 de Kislev do ano 168 a.e.c., o então governante, Antiochus IV, decretou que fosse erigida uma estátua de Júpiter no Templo de Jerusalém. Era também conhecido por "Epifanes", que significa "o amado dos deuses". Já Polebius, um historiador da época, aplicou-lhe o apelido de "Epimanes" - louco - um título mais apropriado ao caráter do monarca. Esta foi apenas uma de suas maquinações - o Shabat e as Festas estavam proibidos sob pena de morte; os judeus eram obrigados a oferecer sacrifícios aos deuses pagãos; rolos da Torá eram destruídos e seus detentores assassinados - para "elevar tudo o que era helenista e rechaçar tudo o que era judaico", conquistando, sobretudo, as classes superiores, que não hesitaram em adotar esta nova filosofia.

Contudo, seus nefastos desígnios esbarraram em um vilarejo, Modiin, onde Matitiahu, o Hasmoneu - um velho sacerdote - juntamente com seus cinco filhos, reuniu um grupo de homens - pequeno em número mas infinitamente maior em valentia e coragem - e iniciou uma revolta. Com a sua morte, em 167 a.e.c., seu filho Yehudá tornou-se o líder dos revoltosos, sendo conhecidos como os Macabeus (de macabi que, em hebraico, compõem o notarikon - método de abreviar frases utilizando as letras iniciais de cada palavra - de "Mi Camochá Ba'elim Ado-nai", "Quem entre os poderosos é como Tu, ó D'us - Êxodo 15:11). Explicam ainda nossos sábios que este nome deriva da palavra makevet, que significa martelo, devido à sua excepcional força física. Frente a essa rebelião, Antiochus enviou seu general Apolônio para dissipá-la. Mesmo sendo militarmente superiores e em número, os sírios acabaram sendo derrotados pelos Macabeus.

Chanucá é a consagração - purificação e reinauguração - do Templo, primeira medida tomada pelos vitoriosos. Como a Menorá (candelabro) de ouro havia sido roubada pelos sírios, os Macabeus fizeram uma nova de metal menos nobre. Porém, no dia 25 de Kislev de 165 a.E.C., algo aconteceu. Deixemos que o Talmud (Shabat 21b) nos conte:

"Quando os gregos entraram no Templo, profanaram todas as reservas de óleo dali; e os Hasmoneus - após a vitória sobre os helenistas - encontraram um único cântaro pequeno de óleo puro inviolado, ainda com o selo do Sumo Sacerdote. Normalmente esta quantidade seria suficiente para iluminar a Menorá por apenas um dia; mas um milagre aconteceu e o óleo durou oito dias. No ano seguinte, estes oito dias passaram a ser comemorados com louvor e graças".

Embora seja esta a explicação mais conhecida para a Festa, sua existência remonta a tempos bíblicos: no dia 25 de Kislev, um ano após o Êxodo do Egito, foram concluídas as obras do Mishcán - Tabernáculo - nosso primeiro Santuário.<

Costumes de Chanucá

1)Revivendo este marcante momento de nossa História, celebramos Chanucá acendendo, durante os oito dias da Festa (a partir do próximo domingo à noite), um candelabro especial de oito braços - a Chanukiá - todos no mesmo nível, além de um braço elevado adicional (o Shamash), o qual serve de suporte à vela responsável pelo acendimento das demais. O sentido desta Mitzvá é, segundo nossos sábios talmúdicos, "Pirssuma Denissa" - a difusão do milagre ocorrido. Justamente por este motivo, costumamos colocar a Chanukiá num lugar onde as pessoas possam ver do lado de fora da casa, preferencialmente no peitoril da janela. As velas são acesas ao cair da noite, exceto sexta-feira, quando as acendemos antes das velas do Shabat (uma vez que, acesas as velas do Shabat, é proibido acender qualquer outra vela). Embora a grande maioria utilize-se de velas, há um antigo costume de se usar pavios e azeite, em recordação ao milagre no Templo.

2)Embora jogos de azar sejam proibidos pela Lei Judaica, costuma-se, em Chanucá, jogar o dreidl (sevivon, em hebraico), um pião de quatro faces, cada uma contendo uma letra do alfabeto hebraico, as quais formam a frase Nes Gadol Haia Sham - uma grande milagre aconteceu lá - sendo que, em Israel, troca-se a última letra por pei (de pó, aqui). Naquela época, o estudo da Torá era proibido sob pena de morte. Para poderem "camuflar" suas reuniões de estudo, os judeus levavam consigo piões. E, assim que chegava um oficial sírio, fingiam estarem se divertindo e se punham a girá-los.

3)Costumamos comer sufganiot (sonhos) e latkes de batatas. Uma vez que estas delícias são feitas à base de óleo, recordam-nos a respeito do grande milagre destes dias.

4)Em lembrança às moedas cunhadas pelo Macabeus após sua vitória, costumamos dar às crianças Chanucá guelt (dmei Chanucá, em hebraico), uma quantia para ela fazer o que bem quiser.

Uma mensagem da Chanukiá

A Chanukiá simboliza a humanidade. Cada vela representa o ser humano, uma vez que "a alma do homem é a vela de D'us" (Provérbios 20:27). O Shamash - a vela com a qual acendemos as demais - representa nosso desafio perante o mundo em que vivemos.

Em nosso cotidiano, freqüentemente nos deparamos com pessoas cujos "pavios" estão apagados. São aquelas que, por qualquer motivo, estão tristes, sozinhas, desamparadas ou abandonadas. A escuridão de suas vidas torna-se cada vez mais densa à medida que seus objetivos parecem-lhe mais e mais distantes ou até mesmo impossíveis. Pessoas estas que não precisam de muito; apenas de nossa atenção, carinho, amor e dedicação. Mesmo em meio à multidão, não conseguem ver sua chama brilhar; não são vistas.

Nossa missão é doar nosso brilho e fazer com que elas tenham calor humano correndo em suas veias. Compete-nos fazer com que se sintam amadas, respeitadas, valorizadas e especiais. Mas é importante notar que todas estão no mesmo nível. E, mais fundamental ainda: a Mitzvá só é cumprida em sua plenitude quando todas as velas são acesas em conjunto. Somente unidos - juntos e presos pelos mais resistentes elos da dedicação ao outro - poderemos garantir que Chanucá continue sendo motivo de orgulho por gerações.

 

Conhecimento Vs Sabedoria

Por que o Império Grego não sobreviveu mais que algumas centenas de anos? Historiadores concluem que ele foi derrotado pela falta de moralidade.

Todos conhecemos a história: os triunfantes macabeus, tendo capturado Jerusalém reorganizado o Templo, colocaram suas forças numa prioridade: acender a Menorá. Encontraram um frasco de óleo, e a chama que deveria durar por um dia queimou por oito. Então, por 2000 ano desde então, os Judeus ao redor do mundo comemoram acendendo suas Chanukiot.

O que é tão especial na Menorá que os macabeus a fizeram sua prioridade, e que os Sábios definiram ser o foco primário da celebração de Chanucá?

Para responder, precisamos de algumas informações:

A Torá descreve a Manorá do Templo como um candelabro de sete braços, com copos decorativos, manoplas e flores, tudo baseado numa única e sólida peça de ouro. Mas a Torá apresenta um interessante detalhe: "Quando acender a Manorá, esteja seguro de que as (6) luzes exteriores estejem voltadas para o centro." (Exodus 25:31-37).

Mas o que as seis luzes exteriores representam, e porque devem elas apontarem para a sétima, ao centro?

Os seis braços exteriores da Menorá representam os seis ramos do conhecimento secular - física, filosofia, astronomia, medicina, música e matemática. Mas a Torá está dizendo que a sociedade não pode se basear somente no conhecimento. A não ser que está informaçao esteja focada e direcionado para o centro - simbolizando D'us, a Torá e a espiritualidade - se não, este conhecimento seria em vão, ou pior, destrutivo.

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Conhecimento sem Sabedoria?

A Grécia foi um império poderoso. Os gregos promoveram a moda da beleza, jantares finos, música sonora, arte estética, atletas vigorosos, diversão cativante e uma variedade de atividades estimulantes. Os gregos foram os mais avançados e sofisticados de seu tempo. Não fosse por sua excelência (aplicando o conceito moderno), jamais teríamos descoberto os transplantes do coração, ballet, tranporte aéreo ou ainda a Internet.

Mas por que o Império Grego não sobreviveu mais que algumas centenas de anos?
Historiadores concluem que ele foi derrotado pela falta de moralidade. Conhecimento, sem D'us, é a receita para o desastre. Simplesmente não podemos e não iremos sobreviver sem uma clara direção moral.

Claro, os gregos tinham seus deuses. Um grande pantheon de deuses de fato. Mas estes eram deuses feitos pelo homem, do tipo que tinham comportamento imoral por eles mesmos. O homem não é capaz de desenvolver seu próprio sistema objetivo, pois o homem - como parte do grupo para o qual o sistema foi criado - é inerentemente subjetivo. Os deuses gregos não eram do tipo pelo qual se aspirava; eram deuses que podiam justificar o comportamento corrompido do ser humano.

Um exemplo gritante de "moralidade sofisticada" é a Alemanha Nazista. A Alemanha era conhecida por suas instituições acadêmicas de ponta, avanço nas artes, e uma conduta social impecável. E para onde tudo isso levou? Na Conferência de Wansee (o encontro nazista que formulou a "Solução Final" para o extermínio de todos os judeus), 9 dos 13 participantes eram PhDs. Estas eram os mais científicas mais criativas de todo o mundo civilizado da época. Ainda assim, usaram seu poder para o mal absoluto.

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A TORÁ E O CONHECIMENTO TRABALHANDO JUNTOS

Se a Torá é tão central, por que precisamos dos outros 6 ramos da Menorá? O Talmud diz "Não há Torá sem derech Eretz", o que significa que não podemos separar nosso conhecimento do mundo da compreensão da Torá. Usados adequadamente, todos os 7 ramos iluminarão o nosso mundo da melhor maneira possível.

O maior comentador do Talmud de todos os tempos, Maimônides, era também um médico talentoso, e escreveu extensivamente sobre tópicos como a medicina medieval, filosofia e metafísica. (Ver Mishne Torá - Fundamentos da Torá, Cap 2.) O Gaon de Vilna (Europa, séc XVIII) escreveu livros sobre geometria, astronomia e algebra.

D'us ordenou que a Menorá fosse feita de uma única pedra de ouro, pois toda a sabedoria trabalha em conjunto na criação de um mundo santificado e em paz.

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A LUZ DO TEMPLO

Esta luz do Torá é simbolizada pela Menorá no Templo. O Talmud explica que as janelas do Templo eram de uma construção não usual. Usualmente, janelas são construidas mais largas na parede interna, e mais estreitas na parede externa, para que mais luz possa banhar o ambiente interno.

No Templo, entretanto, o contrário era o que ocorria: as janelas eram mais estreitas do lado de dentro, e mais largas do lado de fora - porque desde o interior do templo, a luz espiritual sai para iluminar todo o mundo. Esta luz guia, orienta, esclarece. E era isso que o profeta Isaias quis dizer quando chamou o Povo Judeu de "Luz para as Nações" (Isaias 42:6).

Quem ensinou o mundo a moral e a ética, se não o Povo Judeu? Certamente não foi Esparta e nem Atenas, nem os romanos e nem os persas. O que aconteceria se alguem parasse um guerreiro a caminho da pilhagem, estupro e assassinato e perguntasse por que base filosófica ele tinha o direito de atacar? Sua resposta seria simples: "O poder dá o direito!".

Os que pregavam o mundo sob outra visão eram os judeus. Nossa Torá e nossos profetas deram ao mundo ocidental:

- E amarás ao seu próximo.

- Proclaim liberty throughout the land. (on the Liberty Bell)

- Todos os homens são criados igualmente.

- They will beat their swords into plowshares. (no prédio da ONU)

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Lições de Chanucá para Hoje

Moral e ética são o legado judaico, e é por essa razão que não se celebra Chanucá com uma parada militar. Veneramos o Rei David não por que era um guerreiro, mas apesar disso. Ele não pode construir o Templo, embora o desejasse, pois suas mãos estavam sujas de sangue. E isso que ele apenas havia lutado a comando de D'us. Seu filho Salomão, o homem de paz, foi o que pode construir o Templo.

O Midrash (Parashat Behaalotecha) cita D'us dizendo a Aron, o Sumo Sacerdote: "Acender a Menorá será sua eterna contribuição ao Povo Judeu." Os comentaristas questionam: O acendimento da Menorá era feito somente quando o Templo existia? Então o que significaria para nós, hoje em dia, que "o acendimento da Menorá é eterno?"

A resposta é que the truths we glean from Torah are eternal. Particularly as society grows increasingly desperate for direction on ethical issues, the truth of Torah is precious today more than ever. On a world full of issues like cloning, euthanasia and the homeless, Torah illuminates the delicate middle path of logic and reason.

Como diz o Rei Salomão em Provérbios 6:23, "As mitzvot são as velas - e a Torá é a luz." Este é o significado da Menorá, e esta é nossa mensagem de Chanucá.

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por Rabino Shraga Simmons

A Necessidade de Moralidade

A moralidade mantém a civilização junta; sua ausência, leva ao caos. A beleza do Judaísmo é que podemos constantemente balizar nossas ações em relação às obrigações da Torá. A Torá é nosso entorno moral. É nosso contorno, padrão e objetivo. Nos dá uma direção e é uma guia contra o extremismo.

E é através da Torá que a humanidade é guiada por leis contra a exploração no trabalho, fofoca, excesso de trabalho, polu~ição e outros abusos do indivíduo e da sociedade. Sem uma guia moral, sem as orientações da palavra de D'us, qualquer coisa pode acontecer e podemos perder o controle de nossas vidas.

Aldous Huxley, em seu ensaio, "Confissões de um Ateu Professo " (Report Magazine, Junho, 1966), explica sua razão para rejeitar o único, verdadeiro D'us:

"Eu tinha motivos para não querer que o mundo tivesse significado; eu consequentemente assumia que não tinha nenhum... Para mim, e sem dúvida para a maior parte dos meus conteporâneos, a filosofia do sem significado era essencialmente um instrumento de liberação. A liberação que queríamos era... a liberação de um certo sistema de moralidade. Nós tínhamos objeções em relação à moralidade, porque interferia com nossa liberdade sexual."

 

Antecedentes Históricos da Revolta dos Macabeus

333 A.E.C. Alexandre Magno conquista Eretz Israel
175 A.E.C. Antíoco Epifanes sobe ao poder
168 A.E.C. Antíoco Epifanes em Jerusalém, profanação do Templo, editos de Antíoco. Matitiahu, o Hasmoneu encabeça a revolta contra os gregos.
164 A.E.C Iehudá HaMacabi entra no Templo e reinicia os sacrifícios; Inauguração do Templo
160 A.E.C. Morte de Iehudá HaMacabi
152 A.E.C. Yonatan, o Hasmoneu, lidera o Povo de Israel
142 A.E.C. Shimon, o Hasmoneu, alcança o governo e o Sumo Sacerdócio (Cohen Gadol)
135 A.E.C. Yohanan Hircanos (filho de Shimon) chega ao governo e é Sumo Sacerdote (Cohen Gadol)
103 A.E.C. Alexandre Chaneo é Rei e Sumo Sacerdote
76 A.E.C. Salomé Alessandra [Shlomtzion HaMalka, esposa de Chaneo], sobre ao trono
67 A.E.C. Guerra Civil pelo controle da Judéia; Pompeu, comandante romano conquista Jerusalém; Morre Antigono, o último Rei Hasmoneu

Antecedentes Históricos da Revolta dos Macabeus

No ano 333 a.E.C., Alexandre Magno conquistou a Judéia e assim começou o governo grego na Judéia e em toda Eretz Israel. Alexandre Magno outorgou aos judeus o direito de viver segundo seus costumes, gozando de autonomia religiosa e nacional.

Depois de sua morte, o reino foi dividido entre os Ptolomaicos, que reinavam no Egito, e os Seleucidas, que governavam na Síria. Estes reinos lutavam entre si pelo governo da Judéia. Em 198 a.E.C., Antíoco III, Rei da Síria, conquistou Eretz Israel e novamente outorgou autonomia nacional e religiosa aos judeus.

A situação mudou em 175 a.E.C., quando subiu ao governo da Síria Antíoco IV, Antíoco Epifanes. Antíoco Epifanes se via como representante da cultura grega (helenista) e queria promover esta cultura em todos os domínios do reino. Nesta época, havia na Judéia duas posições fortes: os "Helenistas" e os "Chasidim". Os que apoiavam a cultura grega, falavam grego e adotavam os costumes gregos, eram conhecidos como Helenistas. A maioria dos Helenistas vinham das classes média e alta.

A maioria do povo permaneceu fiel à religião e à tradição judaicas, e não adotou a cultura grega. Do povo, se levantou um grupo de pessoas que se chamou a si mesmo de Chassidim. Eles viam como sua principal missão a preservação dos valores nacionais e religiosos. Eles se opuseram a imposição da cultura helenista, dado que isto aniquilaria a cultura judaica.

Antíoco Epifanes queria transformar Jerusalém numa cidade grega. Impôs editos contra a religião judaica; proibiu a observância do Shabat; a mitzvá da circuncisão e o estudo da Torá. Construiu um altar no Templo, e obrigou os judeus a fazerem oferendas aos deuses gregos. Também em toda Jerusalém foram construídos altares aos deuses gregos.

O ressentimento entre o Povo Judeu foi se acumulando, e em 167 a.E.C. estourou a revolta contra o governo grego na Judéia. A revolta começou no povoado de Modiin. Encabeçando os rebeldes, estava o ancião e sacerdote Matitiahu, o Hasmoneu.

Matitiahu matou o soldado grego que quis fazer a oferenda de um porco no altar de sacríficios dos judeus, destruiu o altar levantado pelos soldados gregos, e fugiu para as montanhas. Junto a ele, partiram seus cinco filhos: Iochanan, Shimon, Yehuda, Yonatan e Eleazar. Muitos judeus, que na maioria eram camponeses, se juntaram a Matitiahu e seus filhos para lutar contra os gregos. Encabeçando os combatentes judeus, estava o filho de Matitiahu, Yehuda, o Macabeu.

O lema dos combatentes judeus era "Mi Camochá BaElim, Ado-nai" - Macabi - Quem é como Tu entre os deuses, nosso D'us". Os judeus lutaram com heroísmo. Era uma guerra entre forças díspares: poucos contra mutios, camponeses sem armas contra um exército organizado e treinado. A guerra foi popular e de guerrilhas. Nesta luta cairam muitos judeus, entre eles Eleazar o Hasmoneu. Yehuda, o Macabeu, deu um duro golpe no exército de Antíoco, e libertou Jerusalém. Isto ocorreu em 165 A.E.C. Ele purificou o Templo, e renovou o serviço sagrado. No dia 25 do mês de Kislev, os judeus inauguraram o Templo e fizeram a primeira oferenda a D'us no novo altar. A festa de inauguração do Templo se estendeu por 8 dias. Depois da inauguração do Templo, continuaram as lutas. Yehudá, HaMacabi, caiu em combate, mas sua luta foi continuada por seus irmãos, Yonatan e Shimon, que fortaleceram o reino, anularam os editos de Antíoco, e transformaram a Judéia num reino independente. Shimon foi o primeiro príncipe da Judéia, e assim começou a dinastia dos Hasmoneus. Os reis Hasmoneus extenderam os limites do reino, e, no período do Rei Alexandre Chaneo, as fronteiras se extenderam desde o deserto, as margens do Jordão Oriental, até o Mediterrâneo, ao Ocidente; desde o Líbano, ao norte, até Rafiach, ao Sul. O país se constitui na maior área históricamente já atingida por Eretz Israel.

A dinastia dos Hasmoneus continuou até depois da conquista romana, em 67 a.E.C e até a morte do último Rei da Dinastia, em 37 a.E.C.

 

 

Tempo de celebrar a passagem do tempo

É inevitável. E infalível. Como um relógio programado para dezembro, começam a me perguntar: "E aí: o que você vai fazer no Natal e no Ano Novo?... Ah, "vocês" não comemoram ... não é mesmo?"

O que vou fazer não reflete uma mera curiosidade social. É mais um preâmbulo retórico para o “vocês” que se segue. Por "vocês" subentenda-se: judeus. Tenho um repertório considerável de respostas prontas para serem acionadas, que variam de acordo com o humor e o interlocutor. Vão desde "comemorar, ora!" a "eu não sou judia, sou levita”, passando por "vocês quem, cara pálida?" ou "aproveito para emendar desde Chanucá", etc.

Na verdade, considero Natal e Reveillon (espero não chocá-lo muito!) as festas cristãs mais judaicas (aproveitando seu espanto: da mesma forma que considero Iom Kipur a mais católica das festas judaicas, que não comentarei aqui por fugir do tema principal, devido a influências conjunturais e litúrgicas desde períodos inquisitoriais[i]). Afinal, Natal comemora o nascimento de um menino judeu e Reveillon, seu brit-milá (circuncisão)[ii]. Isto, sem entrar em qualquer consideração teológica, apenas levando em conta o aspecto Jesus - humano.

Isto também conduz ao caráter simbólico do calendário civil (gregoriano ou cristão): ele começa com uma semana de atraso! No brit, no oitavo dia de vida, Jesus recebeu seu nome (em hebraico Ioshua) e passou a fazer parte da congregação: no dia 1º de Janeiro...

Páscoa - Tempo de Feliz Natal?

Quando teria se dado o nascimento de Jesus? Os relatos, nem sempre concordantes, dos Evangelhos de Mateus e de Lucas, indicam que não ocorreu no inverno (no hemisfério norte), quando o Natal é celebrado. “Naquela região haviam pastores, que passavam a noite nos campos, tomando conta dos rebanhos” (Lucas, 2,8)

No frio e na umidade de dezembro, o pico da estação chuvosa da região, os rebanhos não estariam nos campos, mas recolhidos. Logo, seria mais adequada a época de Pessah-Páscoa (início da primavera) para o Natal. Mas aí entramos no percurso através da História das Religiões, em que a mensagem simbólica de datas, rituais, etc., foram se superpondo – formando o que veio a ser a base da cultura ocidental.

Im lo az - eimatai?[iii]

Ora, se não foi em dezembro - quando foi? E por que foi fixada a data de 25 de dezembro para o festejo natalino?

Lembremos que o calendário cristão foi criado em 533 e.c. pelo monge Dionísio, o pequeno. Voltando mais ainda no tempo, os Evangelhos foram escritos 70 anos depois de Jesus. Explicar, entretanto, a determinação incorreta de datas devido à confusão gerada pelo lapso de tempo da compilação escrita seria uma simplificação burra, além de errada. Em primeiro lugar, porque não podemos esquecer que os judeus (como eram os primeiros cristãos), bem como outros povos orientais, tinham uma profunda reverência pela literatura oral, que antecedia e preservava por séculos a que seria posteriormente registrada por escrito (como ocorreu com o Tanakh e o Novo Testamento, a Mishná e a Guemará).[iv]

Em segundo lugar, o estabelecimento da data não foi feito de forma aleatória - existia um propósito (consciente ou inconsciente) de fundir elementos de origem cultural diversa e quase arquetípica, gerando uma data impregnada de conteúdo simbólico e aglutinante.

21 de dezembro + 25 de kislev = 25 de dezembro?

Você sabia que o Natal em Israel, na Terra Santa, é celebrado por católicos, anglicanos e protestantes em 25 de dezembro... mas pelos ortodoxos em 6 de janeiro? “A fixação dessas datas é bem tardia, não anterior ao século IV. Não há nenhum documento primitivo que indique qualquer data.” “Nos evangelhos e nos escritos dos cristãos dos primeiros séculos, não há indicação de data para o Natal, mas sim para a Páscoa”.[v]

O dia 25 de dezembro, como Natal, é mencionado pela primeira vez no ano 354. O imperador romano Justiniano reconheceu-o legalmente como dia de festa. Para a escolha da data, antigas festividades romanas e pagãs tiveram papel fundamental.

Em dezembro, os dias ficam cada vez menores, até o dia 21, a noite mais longa do ano, quando o Sol parecia sumir, o solstício do inverno. Pagãos festejavam os dias precedentes para apaziguar o Sol, para que ele aparecesse de novo e o Inverno fosse mais suave.

Em Roma festejava-se o triunfo de Saturno sobre Júpiter, associado ao Sol e festejado próximo ao solstício, acendendo-se velas e fogueiras para iluminar a noite e muita comida, além da oferta de presentes para a deusa das colheitas. 21 de dezembro era o dies natalis invicti (dia do nascimento do invicto) e o último dia das saturnálias. Também realizavam festejos para o deus Mitra, nascido em 25 de dezembro, declarado pelo imperador Aureliano o maior feriado em Roma. Cerca de um século depois, o imperador Constantino, ao se converter ao cristianismo, manteve muitos dos rituais, transferindo a simbologia de Mitra, que representava o sol e a sabedoria, para Jesus, visando a absorver a festa pagã pela cristã.

A noite de 24 de dezembro (incorporando o conceito judaico de erev, véspera, para início dos dias, remetendo ao relato da Criação), foi uma festa pagã “batizada” pelos católicos.

O elemento judaico que contribuiu para a confusão ou co-fusão, foi Chanucá, comemorada na mesma época, só que em data fixa: oito dias a partir de 25 de kislev. Provavelmente a proximidade de datas e a fusão dos festejos pagãos de 21 de dezembro, com Chanucá, com início em 25 de kislev, tenha determinado o 25 de dezembro.

Celebrando: o encontro de costumes e simbolismos

Há costumes judaicos e cristãos semelhantes nesta época (decoração, luzes, comidas) Mas a motivação é diferente, para cada um dos grupos religiosos. “Uma coisa é certa: se, de fato, o nascimento de Jesus ocorreu em dezembro, terá sido muito próximo da festa de Chanucá, que ele, nascido do povo judeu, deve ter comemorado durante sua vida.”(ver nota 5)

No dia 25 de dezembro era comemorado também o dia do deus pagão Adônis. Amante de Vênus, ele morria tragicamente todos os anos e ressuscitava nos equinócios; nascia e morria em Belém, na mesma gruta que o menino Jesus. Nessa data, Constantino costumava executar alguns prisioneiros e colocar suas cabeças peduradas em uma árvore. Teria alguma macabra relação com a árvore de Natal?

Ninguém sabe dizer ao certo quando esta surgiu. Mas ao longo da história, foi incorporada aos hábitos de vários povos.

Os egípcios consideravam a tamareira como árvore da vida e levavam-na para casa nos dias de festa, enfeitando-a com doces e frutas para as crianças. Na Roma Antiga, romanos penduravam máscaras de Baco, deus do vinho, em pinheiros para comemorar a Saturnália. Na Alemanha, Lutero (1483-1546), autor da Reforma protestante do século XVI, montou um pinheiro enfeitado com velas em sua casa. para mostrar às crianças como deveria ser o céu na noite de nascimento de Jesus.

Após a passagem por origens comuns, vejamos aspectos diferenciais e sua simbologia, enfocando especificamente Chanucá.

Judaísmo e tempo atemporal[vi]

“Parafraseando a analogia do Salmo 90: "Mil anos a teus olhos são como o dia de ontem", a história de um povo corresponde a um instante na eternidade do mundo. Apesar do relato histórico do povo judeu apresentar sentido tão cósmico, nossa milenar continuidade cultural-religiosa talvez seja a mais extensa que qualquer grupo étnico-religioso tenha alcançado.

Para o judeu consciente de sua história, o passado parece tão real quanto o presente, concebidos como intrinsecamente ligados um ao outro, dotados do mesmo propósito moral.

No sentido espiritual, o tempo conservou-se atemporal! Depois das concepções sobre Messias, Ressurreição, Juízo Final, terem firmado raízes no solo parcialmente místico da crença judaica no período pós-bíblico, também o futuro ligou-se ao passado e ao presente, ficando sintetizados numa certeza histórica indivisível: para o povo de Israel, a vida assume um objetivo grandioso bem delineado, como a planta de um projeto arquitetônico.

Poder-se-ia concluir que, ao aprender presumidas "verdades absolutas", a religião judaica estivesse condenada a um estado de permanente imobilidade e estagnação. Na realidade, ao mesmo tempo que o povo apegava-se às principais doutrinas, princípios, atitudes e práticas tradicionais, a evolução histórica era contínua, ajustando-se às novas circunstâncias, às influências culturais do ambiente em geral e do espírito da época; em fase alguma da história judaica a religião permaneceu estática”.

Erev, Shabat, Rosh há Shaná – tempo judaico e descanso[vii]

É interessante observar que todo marcador temporal judaico é iniciado pelo descanso. O relato bíblico da Criação: “Vaiehi erev vaiehi boker” (anoiteceu e amanheceu) determinou o início dos dias, na erev (véspera, tarde, anoitecer): o dia começa com o descanso da noite. Isto gerou também o “efeito Orloff”: em hebraico, hoje à noite é amanhã!

O calendário judaico é determinado pelos ciclos da lua e do sol. Os meses seguem o ciclo lunar, do Molad (nascimento, lua nova) até o novilúnio seguinte.

Existem numerosas afinidades simbólicas entre a lua e Israel. Assim como o Sol representa a potência material reconhecida por todos, a Lua, brilho tênue no reino da noite, representa Israel, humilhada entre as nações na noite do exílio. A influência discreta da lua simboliza o caminhar das idéias do judaísmo. Outro exemplo: o desaparecimento e depois reaparição da lua representam a eternidade de Israel, apesar das vicissitudes.

Rosh haShaná, o ano novo judaico desde o período talmúdico, corresponde ao período (no hemisfério norte) do fim do ciclo agrícola anual – o tempo do descanso da terra, para que se reinicie revigorado. E a semana judaica também pressupõe um “tempo” para descanso, uma pausa, para que se inicie a seguinte com um novo vigor, físico e espiritual.

Conforme a Guemar,: O homem criado no sexto dia para ensinar que, se um dia ele for muito soberbo, lhe seja relembrado: “A pulga veio antes de você na criação”. (Sanhedrin 38a) Ou seja, ao mesmo tempo que dá ao homem sua exata dimensão, ensina-lhe a repensar a dimensão do tempo...

Natal, Chanucá, Reveillon, Rosh haShaná...

Nós, judeus não comemoramos o Natal nem o Ano Novo como tal. Como 1º de janeiro consta dos calendários como o Dia da Comemoração da Fraternidade Universal, um Kidush e um Shehe’heianu não devem fazer mal a ninguém nem “agredir” nenhum preceito judaico (ou não? o que você acha?) Rosh haShaná, o Ano Novo judaico comemoramos entre setembro e outubro (é uma data móvel, pois o calendário judaico é luni-solar). Jesus e os primeiros cristãos também comemoravam a data, apesar de Rosh haShaná ter adquirido maior significado no período talmúdico, época que abrange o surgimento do cristianismo (ver nota iv). Bem posteriormente é que os cristãos passaram a comemorar o ano novo a partir do nascimento de Jesus e marcá-lo como início de uma nova era. Japoneses e chineses comemoram em outras datas. Os muçulmanos fazem-no a partir de Maomé, sendo que seu calendário é só lunar. A era vulgar (ano 2002) prevalece no mundo ocidental.

Afinal, quantas vezes os judeus celebram o Ano Novo?
Na verdade, segundo o calendário judaico são comemorados... quatro Anos Novos! Em Nissan, Elul, Tishrei e Shvat...

Nissan é, na Bíblia, o primeiro mês do ano, para a contagem dos anos dos reis de Israel. Além disso, por ser o mês de Pessah, que comemora a passagem para a liberdade, envolve, na minha opinião, o belo simbolismo de o tempo ter sentido, merecendo ser contado, a partir do momento que somos livres!...

Elul era o “Ano Novo do Gado”: no primeiro dia do mês, retirava-se o dízimo (um décimo dos animais nascidos nos últimos 12 meses) e doava-se ao Beit HaMikdash (Templo).

Tishrei, sétimo mês bíblico ("O primeiro dia do sétimo mês, será descanso solene para vocês, uma comemoração proclamada com o toque do shofar, uma convocação santa"), veio a ser considerado o começo do ano civil judaico, por ser o mês da Criação, uma espécie de “Aniversário do Mundo e do Homem”, quando é feito o julgamento divino dos seres humanos.

Ele também marca o início da contagem da Shemitá (Ano Sabático); do Iovel (Jubileu, quando eram libertos os escravos e as propriedades voltavam às mãos dos donos originais); da Orlá (3 anos a partir do plantio de uma árvore frutífera, durante os quais não se pode comer seus frutos) bem como do ano para cálculo do dízimo da colheita de vegetais e grãos. (Por curiosidade, você sabia que ano passado foi de Shemitá?)

Na antigüidade, Rosh haShaná era época de Ano Novo não só judaico, mas para todo o hemisfério norte, quando se encerrava o ciclo anual agrícola, era feito o balanço do ano, como fazem as empresas hoje, publicando-os em jornais (explicando, em parte, a simbologia do signo zodiacal- Balança associado ao período). Com o acréscimo de preceitos e símbolos judaicos e, por termos continuado a comemorar a data até hoje, independente de localização espacial, Rosh haShaná ficou definido para todos como “O” Ano Novo judaico.

Tu biShvat, “Ano Novo das Árvores”, no calendário judaico, o dia não apenas é fixo, como define o nome da festa: as letras hebraicas tet e vav, que formam o Tu, têm valor numérico 9 e 6; como 9+6= 15, significa que se comemora no 15º dia do mês Shvat.

E Chanucá?[viii]

Desde a morte de Alexandre da Macedônia, no ano 323 a.e.c., os governantes gregos da Palestina fizeram contínuos esforços para forçar o povo judeu a abandonar sua fé e adotar as idéias e costumes gregos. A maioria do povo resistiu ao intento de divorciá-lo do judaísmo. Com o Rei Antioco da Síria, no ano 175 a.e.c. foi empregada a força para impor os costumes de vida gregos. Este rei começou a perseguir sistematicamente a todos os judeus que se negavam a deixar a prática do judaísmo; desmantelou e profanou o Templo de Jerusalém, obrigando-os a ajoelharem-se ante os ídolos que ali instalou.

Na pequena cidade de Modiin, o velho sacerdote Matatias, da família dos Hashmoneus, colocou-se, com seus cinco filhos à frente da revolta. Seguidos de um grupo de corajosos judeus, eles chegaram a bater seus inimigos, à princípio nos montes da Judéia e, mais tarde em toda a região, até Jerusalém. Esta foi a luta de um punhado de homens contra uma multidão, de fracos contra fortes. Eles venceram grandes exércitos sírios, possuidores de elefantes e máquinas de guerra. Como divisa, os judeus inscreveram em sua bandeira, estas palavras da Torá: “Quem é como Tu, entre os deuses, ó Senhor?” Das iniciais hebraicas destas palavras, formou-se o nome macabeu (macabi), como ficaram conhecidos os filhos de Matatias. Makevet, em hebraico, é martelo, alusão aos golpes assentados ao adversário. De acordo com outra teoria, Macabeu era o grito de guerra dos judeus contra os sírios.

Em 25 de kislev de 165 a.e.c. (exatamente 3 anos após a profanação do Santuário), os macabeus fizeram sua entrada no Templo e voltaram a dedicá-lo ao serviço de Deus.

O Talmud acrescenta: “Quando os Hashmoneus venceram os gregos, fizeram uma busca no Templo e encontraram somente um frasco de azeite intacto e inviolado com o selo do Cohen Há-Gadol (Sumo Sacerdote). Este continha azeite suficiente para iluminar um dia, mas ocorreu um milagre e a menorá permaneceu acesa durante oito dias. Um ano depois, a data foi designada festividade em que se recita o Halel e oração de graças (Shabat 21b).

Para recordar a vitória dos Hashmoneus e o milagre do óleo, celebramos a festa de Chanucá (inauguração), cujo nome refere-se à reinauguração do Templo, após a vitória.

Embora seja esta a explicação mais conhecida para a festa, sua existência remonta a tempos bíblicos: no dia 25 de Kislev, um ano após o Êxodo do Egito, foram concluídas as obras do Mishkan (Tabernáculo) nosso primeiro Santuário.[ix]

A festa dura oito dias. Celebramos ações de graça e, à noite, acendemos com uma vela auxiliar (shamash) um candelabro de oito braços (hanukiá ou menorát Chanucá). Na primeira noite acendemos uma vela, e a cada seguinte adicionamos mais uma, até a oitava noite, quando acendemos todas as oito velas. Uma pequena flama é suficiente para alimentar a fé e, se a chama for pura, ver-se-á sua luz aumentar dia a dia. Por isso, Chanucá é chamada também Hag ha-Urim, a Festa das Luzes.

Como se festeja Chanucá em casa

· Lembrando o milagre das oito velas, acendemos a hanukiá.

A maioria das pessoas usa velas normais de parafina na hanukiá. Outros preferem acender pavios dentro de óleo, em recordação ao milagre no Templo. A azeitona e seu óleo são símbolos do Povo Judeu. Como conseguimos o azeite mais puro? Prensamos a azeitona com muita força. A vida cria muita pressão e, muitas vezes, é justamente nestas horas, quando nos pressionam quase até o ponto de ruptura, que nossos melhores momentos e melhores características despontam e brilham. Perseverar e sobrepujar enormes pressões são um dos desafios decisivos da vida, e também é um tema recorrente na História Judaica.

· Cantamos e rezamos o Hanerot Halalu ou Al há-nissim (pelos milagres) e Maoz Tsur.

A tradução de Hanerot Halalu (Estas velas) é: "Nós acendemos estas velas pelos milagres e feitos maravilhosos que realizaste para nossos antepassados, naqueles dias, nesta época, por intermédio dos Teus sacerdotes. Durante os dias de Chanucá estas luzes são sagradas e não nos é permitido fazer outro uso delas, apenas olhá-las para podermos agradecer e louvar Teu grande Nome, por Teus milagres, teus feitos maravilhosos e Tuas salvações".

Maoz Tsur (Rocha Poderosa) é um louvor a Deus por ter nos libertado sucessivamente da opressão egípcia, babilônica, persa e helenista. Como as letras iniciais das estrofes formam a palavra Mordechai, supõe-se que seja o nome do autor. A poesia foi escrita por volta do século XIII; a melodia é uma adaptação de uma canção folclórica alemã do século XV.

· Depois, comemos levivot ou latkes (panquecas de batata) e sufganiot (sonhos),

As frituras lembram o milagre do óleo.

· As crianças brincam com sevivon (hebraico savov=girar) ou dreidel (ídishe dreyen=girar).

Embora jogos de azar sejam proibidos pelo judaísmo, em Chanucá jogamos um pião de quatro faces, com uma letra hebraica inscrita em cada, iniciais das palavras que formam a frase Nes Gadol Haia Sham= uma grande milagre aconteceu lá. Desde a criação do Estado em 1948, em Israel troca-se a última letra por pe (de po= aqui). Cada face tem um valor numérico, que determina o vencedor do jogo. Na época do domínio sírio, o estudo da Torá era proibido sob pena de morte, e o Talmud era estudado oralmente, em grupo. Para contornar a proibição e camuflar as reuniões de estudo, levavam consigo piões. Quando uma autoridade síria chegava, começavam a girar o pião, fingindo estarem se divertindo.

· Costumamos dar dmei Chanucá ou Chanucá guelt (dinheiro) para as crianças.

Lembra as moedas cunhadas pelo Macabeus após sua vitória. Pedagogicamente, visa a participação ativa das crianças em homenagem ao menino que encontrou o frasco de azeite, com uma quantia para fazerem o que quiserem, como comprar doces para alegrar a festa.

O acendimento das velas

A fim de distinguir as luzes de Chanucá, elas são acesas em lugar diferente de onde são acesas o ano inteiro. Até algum tempo atrás, colocava-se a hanukiá do lado de fora da casa, na entrada. Devemos acender perto de uma janela ou porta para pirsumei nissá, divulgar publicamente o milagre (Shabat 21b 23b).

As luzes de Chanucá devem ser uma fonte de fé e inspiração para todos os homens, de todos os credos, não confinando a chama espiritual da tradição judaica do lar, mas irradiando a luz para todos os povos do mundo.[x]

O tempo indicado para fazê-lo é imediatamente após o surgimento das estrelas. As velas ou o azeite deverão iluminar pelo menos por meia hora. Começamos acendendo uma luz no extremo direito da Hanukiá; na segunda noite, uma vela a mais à esquerda e assim por diante cada noite consecutiva. A vela adicional (Shamash), é usada para acender as demais e para que as velas de Chanucá não sejam usadas com fins seculares.

Antes de acender a Hanukiá na primeira noite, três bençãos são ditas (nas noites seguintes somente as duas primeiras) :

1.Baru’h atá Adonai Elokenu mele’h há-olam asher Kidishanu bemitsvotav vetsivanu lehadlik ner Chanucá (Bendito és Tu Senhor nosso Deus Rei do Universo que nos santificou com mandamentos e nos ordenou acender vela de Chanucá).

2.Baru’h atá Adonai Elokenu mele’h há-olam sheassá nissim laavotenu baiamim hahem bazman há-zé (Bendito és Tu Senhor nosso Deus Rei do Universo, que fez milagres para os nossos antepassados naqueles dias, neste tempo).

Quando dizemos “naqueles dias, neste tempo”, reafirmamos a crença no judaísmo atemporal, vinculando nosso presente ao nosso passado e ao futuro.

Milagres continuam acontecendo, todos os dias. Todos nós conhecemos ou vivemos uma estória real com o miraculoso toque divino. Talvez sem os “efeitos especiais” de milagres do passado...; talvez sem uma visão especial nossa, sem que os percebemos como tais...

3.Baruch atá Adonai Elokenu melech há-olam shehe'heianu vekiemanu\ vehiguiánu lazman há-zé (Bendito és Tu, Senhor nosso D'us, Rei do Universo, que nos deu vida, nos manteve e nos permitiu chegar até a presente época, este tempo).

Depois das luzes acesas, cantamos Hanerot Halalu e Maoz Tsur, já comentados.

Curiosidades:

Chanucá destaca a atuação de duas heroínas: Hana negou-se a renunciar à sua religião, não cedendo nem mesmo quando seus sete filhos foram mortos, um atrás do outro, sendo também morta e, Judith, que conseguiu iludir o general inimigo Holofernes servindo-lhe panquecas de queijo e embriagando-o; cortou sua cabeça e entregou-a a seus compatriotas. Seu desaparecimento desmoralizou os soldados, que fugiram da cidade, livrando-a do cerco.

Comparando as festas de Purim e Chanucá, encontramos mais fatos curiosos. Ambas não estão presentes na Torá, pois aconteceram muito depois e relatam milagres acontecidos com o povo judeu. As heroínas Ester e Judith tiveram participação ativa, porém bastante diferente, no desenrolar dos acontecimentos que deram origem a essas festas. Judith, símbolo de Chanucá, vivia em Israel e defendia sua própria pátria; Ester vivia na Pérsia e defendia a sobrevivência de seu povo em solo estrangeiro. Judith, cujo nome já indicava sua origem judaica, foi voluntariamente, sem ajuda, até o acampamento dos gregos que sitiavam a cidade de Betul e degolou o chefe grego Holofernes. Já Ester (nome que significa escondida; o verdadeiro era Hadassa), foi ao palácio do rei Assuero a pedido de Mordechái.

Milagres e Mensagens

Em Chanucá, o motivo da luta era espiritual; os gregos queriam a assimilação dos judeus. Em Purim, o motivo da luta era mais físico: queriam aniquilar o povo judeu, exterminando-nos. Por isso, a festa de Purim é mais material: come-se e bebe-se muito. Em Chanucá, o maior símbolo é espiritual: acender a Hanukiá. Quanto às brincadeiras, em Purim usa-se máscaras (simbolizando o segredo da trama); enquanto em Chanucá usa-se o pião, que se segura de cima (para simbolizar que o milagre veio do céu), em Purim brinca-se com o reco-reco, que se segura por baixo (como o milagre que veio do povo)

Chanucá comemora a fé. Simboliza a luta de poucos contra muitos, dos fracos contra os poderosos, a luta pela liberdade de culto - a eterna luta do povo judeu por sua existência.

"É perigoso valorizar chauvinisticamente a valentia e o heroísmo dos Macabeus sem ter em mente aquilo pelo qual eles lutaram. Embora impregnados de intensa lealdade e fervorosa dedicação ao monoteísmo e às leis do Judaísmo, os Macabeus foram seletivos em sua atitude perante o helenismo (nota x)." Eles rejeitaram idéias pagãs que ameaçavam a continuidade do Judaísmo, porém incorporaram o que era compatível com valores judaicos.

Uma questão crucial em nossos dias é se podemos desenvolver uma identidade que nos permita conviver com o mundo exterior sem nos sentirmos ameaçados e, ao mesmo tempo, apreciar e assimilar o que há de bom em volta. O destino de Israel e da Diáspora depende de como internalizamos os valores judaicos, pois só assim podemos interagir com o mundo autenticamente, como judeus e como cidadãos universais. A luta dos Macabeus nos ensina que “particularismo e universalismo não são mutuamente exclusivos. Não podemos e não devemos optar entre o gueto e a assimilação.” (idem)

“A Chanukiá simboliza a humanidade. Cada vela representa o ser humano, uma vez que "a alma do homem é a vela de D'us" (Provérbios 20:27). O Shamash - a vela com a qual acendemos as demais - representa nosso desafio perante o mundo em que vivemos.

Em nosso cotidiano, freqüentemente nos deparamos com pessoas cujos "pavios" estão apagados. São aquelas que, por qualquer motivo, estão tristes, sozinhas, desamparadas ou abandonadas. A escuridão de suas vidas torna-se cada vez mais densa à medida que seus objetivos parecem-lhe mais e mais distantes ou até mesmo impossíveis. Pessoas estas que não precisam de muito; apenas de nossa atenção, carinho, amor e dedicação. Mesmo em meio à multidão, não conseguem ver sua chama brilhar; não são vistas.

Nossa missão é doar nosso brilho e fazer com que elas tenham calor humano correndo em suas veias. Compete-nos fazer com que se sintam amadas, respeitadas, valorizadas e especiais. Mas é importante notar que todas estão no mesmo nível. E, mais fundamental ainda: a Mitzvá só é cumprida em sua plenitude quando todas as velas são acesas em conjunto. Somente unidos- juntos e presos pelos mais resistentes elos da dedicação ao outro - poderemos garantir que Chanucá continue sendo motivo de orgulho por gerações.”(nota 7)

Lembremos ainda que Chanucá vem do mesmo radical hebraico de hinuch, que significa educação. E educação não se promove com grandiosos prédios, mas com valores e práticas.

Será que você seria um Macabeu?[xi]

Será que os judeus de hoje se posicionariam ao lado dos Macabeus? Eles não lutaram por independência política- foi uma batalha por religião. Os gregos trouxeram civilização e progresso aos lugares que conquistavam. Em seu panteão de deuses, aceitavam a inclusão dos deuses dos povos conquistados. Sua exigência era a aculturação, dentro do caldeirão da civilização e religião gregos. A comunidade Judaica estava dividida. Alguns acreditavam ser a assimilação positiva, uma influência modernizante, e deram boas vindas à mesma. Um pequeno grupo se opôs e preparou-se para lutar e morrer para preservar o Judaísmo.

Não foi uma guerra por princípios abstratos de tolerância religiosa. Foi uma batalha contra a assimilação, lutada por pessoas para quem a Torá era sua vida e inspiração. Nós estaríamos com os Macabeus ou iríamos também achar que a assimilação era o caminho para o futuro? Será que lutaríamos, hoje, pelo Judaísmo, prontos para morrer pelo estudo da Torá e pelo Shabat? Vivemos uma crise de identidade como há 2.500 anos...

Notas

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[i] “Kol Nidrei e Marranismo”, artigo da autora, ver em www.eifo.com.br (Cultura & Educação; arquivo)

[ii] Politicamente incorreto, um pouco de marketing pessoal: leia mais sobre o assunto em “`A Luz da Menorá - Introdução à Cultura Judaica”, da autora deste artigo, Capítulo V: O Ciclo Vital Judaico.

[iii] Adaptação da famosa citação de Hilel, em Pirkei Avot, que termina com: “Im lo ahshav- eimatai?” = se não agora, quando? para “Im lo az – eimatai?” = se não então (àquela época), quando?

[iv] Ver “Interseções - Relações do Judaísmo com outras culturas e religiões na Antigüidade”, da autora.

[v] Ver “Natal Judaico?” em www.riototal.com.br (Comunidade Judaica) com depoimentos do Padre Jesus Hortal e da Irmã Alda, ambos da Fraternidade Judaico-Cristã.

[vi] Ver artigo da autora "Marcadores temporais e Cosmovisão Judaica", Revista Morashá, nº 35, dezembro.

[vii] Idea "Shabat – dando um tempo..." da autora, Eitan SP (material pedagógico).

[viii] Do livro "A luz da Menorá", Capítulo IV, m. (p.82 a 86)

[ix] www.netjudaica.com.br "O Brilho da Fé", escrito pelo Prof Sami Goldstein, da Sinagoga Francisco Frischmann de Curitiba

[x]Os Porquês do Judaísmo, Capítulo 12: Chanucá Rabino Henry Sobel www.cipsp.org.br

[xi] Adaptado de um artigo do Rabino Nachum Braverman, Êsh Hatorá de Los Angeles

 

 

Motivo Histórico

Em 333 A.E.C., com a conquista da Judéia, Alexandre, a Grande, instituiu a lei grega sobre toda a Judéia e Israel. Alexandre permitiu aos Judeus manterem suas tradições e lhes outorgou autonomia religiosa e nacional.

Depois de sua morte, o reino foi dividido entre Ptolemeu, que reinou no Egito e Seleucida, que reinou na Síria. Ambos lutaram pelo controle da Judéia. Em 198 A.E.C. Antioco III, rei de Síria, conquistou a Judéia e reafirmou a autonomia religiosa e nacional dos Judeus.

A situação mudou em 175 A.E.C. com a ascenção ao poder de Antioco IV, Antioco Epifane, na Grécia. Antioco Epifane viu-se como o representante da cultura grega (helenística), que desejou disseminar por todo o império.

Neste período havia duas posições na Judéia: os "Helenistas" e os "Chassidim".

 

  • Os partidários da cultura grega, que falavam grego e adotaram as alfândegas gregas, eram conhecidos como Helenistas. A maioria deste grupo pertencia às classes média e alta.
     

  • A grande maioria das pessoas permaneceu fiel à religião e à tradição judaica, rejeitando a cultura grega. Um movimento popular surgiu dos que desejaram preservar os valores nacionais e religiosos judaicos. Eles se chamaram Chassidim. Os Chasidim foram os que perceberam que aquilo levaria à aniquilação da cultura judaica.

    Antioco Epifane desejou transformar Jerusalém numa cidade grega. Impôs éditos contra a religião judaica, proibindo observância do Shabat, circuncisão e estudo da Torá; construiu um altar no Templo e forçou os Judeus a sacrificarem aos deuses gregos. Os gregos também ergueram altares aos seus deuses nas ruas de Jerusalém.
     

     

    O ressentimento entre os Judeus crescia continuamente, culminando em 167 AEC, com a erupção de uma revolta contra a lei grega na Judéia. A rebelião, que começou na aldeia de Modi'in, foi conduzida pelo velho sacerdote Hasmoneu, Matityahu.

    Matityahu matou um soldado grego que tentou sacrificar suínos no altar na aldeia, destruiu o altar construído pelos soldados gregos e escapou às montanhas, acompanhado de seus cinco filhos: Yohanan, Shimon, Yehuda, Yonathan e Elazar. Muitos Judeus, principalmente fazendeiros, se uniram a Matityahu e seus filhos para combater os gregos.

    À frente deste exército levantou-se o filho de Matityahu, Yehuda, o Maccabeu. O slogan dos guerreiros Judeus era: "Quem é como você entre os deuses, ó D'us (Mi Kamocha Ba'elim Hashem), um acróstico hebraico para a palavra Macabi.


     

    Os Judeus lutaram heroicamente. Era uma guerra entre forças desiguais: poucos contra muitos, desarmados camponeses contra um exército formal, treinado. Era uma guerra popular, partidária na qual muitos Judeus caíram, inclusive Elazar, o Hasmoneu. Yehuda, o Macabeu, derrotou o exército de Antioco, e Jerusalém foi liberada em 165 ACE.

    Ele purificou o Templo e reinstituiu os sacrifícios.

    No dia 25 de Kislev, os Judeus inauguraram o Templo e ofereceram o primeiro sacrifício ao Todo-poderoso no novo altar novo. O festival de inauguração para o Templo durou oito dias.

    Após a inauguração do Templo, a luta continuou. Yehuda e seus irmãos, Yonathan e Shimon, continuaram fortalecendo o país e revogaram os éditos de Antioco, proclamado a Judéia um estado independente. Shimon se tornou o primeiro Príncipe da Judéia, instituindo a dinastia de Hasmoneus.

    Os reis desta dinastia ampliaram as bordas do reino, que no tempo de Rei Alexandre Yannai estirou-se do deserto do leste além do Rio o Jordão, até o Mar Mediterrâneo no oeste, e do Líbano no norte para Rafia no sul. O país se estendeu pela maior parte da área que representa Eretz Israel histórica. A dinastia dos Hasmoneus continuou reinando depois da conquista romana de Eretz Israel em 67 AEC, até a morte do último rei Hasmoneu em 37 AEC.

  •  

     

    Bençãos das Velas (Brachot)

    Em Chanucá, o Festival de Luzes, acendemos velas a cada noite para celebrar o milagre que D'us fez para o Macabeus.

    Começamos com uma vela na primeira noite, somando uma vela a cada noite durante oito noites. Além disso, acendemos uma vela extra a cada noite, o shamash usado
    para acender as outras velas.
    As velas devem ser colocadas da direita para a esquerda, mas devem ser acesas da esquerda para a direita.

    As bênçãos seguintes são ditas cada noite segurando o shamash aceso, e as velas devem ser são acesas imediatamente após recitar as bênçãos.

    As primeiras duas bênçãos são recitadas todas as noites, a terceira só é acrescentada na primeira noite. Depois de acender as velas, são cantadas duas canções:

    Hanerot Hallalu e Ma'oz Tzur.

    1ª Bênção

     

    Baruch Ata Ado-nai Elo-henu Melech haolam, asher kidshanu bemitzvotav vetzivanu lehadlik ner shel Chanucá.

     

    Bendito sejas Tu, Senhor, Nosso D'us, Rei do Universo que nos santificaste com tuas ordens e nos comandaste que acendêssemos as velas de Chanucá.


    2ª Bênção

     

    Baruch Ata Ado-nai Elo-henu Melech haolam, sheassa nissim laavoteynu baiamim hahem bazman haze.

     

    Bendito sejas Tu, Senhor, Nosso D'us, Rei do Universo que realizou milagres para nossos pais, em seus dias.



    Na primeira noite de Chanucá, a seguinte bênção especial também é recitada:
     

    Baruch Ata Ado-nai Elo-heynu melech haolam, she' hecheyanu vekiemanu vehiguianu lazman hazé.

     

    Bendito sejas Tu, Senhor, Nosso D'us, Rei do Universo que nos manteve em vida, nos sustentou, e nos permitiu alcançar os dias de hoje.

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